Se
existe uma discussão infrutífera é
aquela em que o consultor, abarrotado de teorias, diplomas
e até mesmo muita experiência, se embrenha
num embate acalorado com algum empresário bem-sucedido
que não passou do segundo grau, às vezes
nem do primeiro, mas, por ironia do destino - nem sempre
muito trabalho embora nunca se possa se dizer isso a
eles - conseguiu amealhar um bom patrimônio e
obter relativo sucesso na vida.
Já
tive a oportunidade de me deparar com diversos empresários
nessa condição. Fica difícil transferir
o embasamento teórico aliado à experiência
de diferentes casos vividos pelo consultor a alguém
que possui o resultado prático da administração
no histórico de vida, ainda que não se
sustente em longo prazo. Dificilmente eles aceitam essa
condição e por vezes a impressão
que se dá é a de que eles contratam uma
consultoria por uma questão de isenção
pura e simples, nunca por necessidade. A vida lhes ensinou
muito para se submeter aos conselhos de um terceiro
e o orgulho fala mais alto. Por ma razão desconhecida,
eles preferem não confiar na sorte.
No
fundo eles sabem o que fazer, mas vez por outra lhes
falta coragem para assumir uma postura mais atuante
e eliminar aqueles entraves que caminham com a empresa
desde o início das atividades. Muitos deles são
os filhos da inflação galopante e sofrem
para manter os negócios em dia, pois, infelizmente,
sem diploma, sem uma equipe coesa ou ainda sem uma boa
consultoria, dificilmente uma empresa resiste, pois
não consegue reunir internamente todo o conhecimento
necessário para se manter atualizada no mercado.
Certa
vez um empresário bem-sucedido brincou comigo:
“você não sabe o quanto me faz falta
um diploma”, assim como quem diz, “diploma
e nada é a mesma coisa”. Por algum tempo
tentei imaginar a razão pela qual ele faz tanta
questão que os filhos obtenham um diploma. No
mínimo é um paradoxo.
A
verdade é que empresas desse tipo podem sobreviver
por um determinado período de tempo e a energia
desperdiçada para mantê-la nos trilhos
é muito maior do que aquela que seria desperdiçada
com um diploma conquistado a duras penas. Não
é o diploma que conta, mas o conhecimento acumulado
num pedaço de papel quando se honra o estudo
e, principalmente, quando o conhecimento é multiplicado.
Por
isso, o importante nessa hora é manter a calma
e ignorar esse tipo de comentário. A vida de
consultor é feita de erros e acertos e não
existe lógica que prevaleça num mundo
em permanente mudança. Existe o bom-senso. Nada
é melhor do que manter a consciência do
dever cumprido. Existem milhares de consultores que
poderiam ser excelentes gestores de empresas, mas preferem
seguir uma vida mais tranqüila.
Eu,
particularmente, quero aprender cada vez mais, estudar
cada vez mais. Sou um iluminista convicto e assumi a
máxima de que só o conhecimento liberta,
portanto, quero morrer lendo, estudando, trabalhando
e transmitindo conhecimento. Como dizia o Paulo Francis,
“quem não estuda não pensa e quem
não pensa será para sempre um servo”.
Há
muito que aprender com os empresários e também
muito a ensinar. A linha entre o fracasso e o sucesso
de uma organização é muito tênue
e devemos estar preparados para fazer valer o nosso
diploma quando a hora difícil chegar.
Acredite,
de uma maneira ou de outra, eles precisam de nós
e nós precisamos muito deles. Somos inseparáveis,
graças a Deus.
Jerônimo
Mendes