Curitiba,
09 de janeiro de 2005.
Coluna
Profissão e Trabalho
Crise
Empresarial
A
crise empresarial confunde-se com a crise existencial
dos empresários de hoje, cujos maiores dilemas
são: quem somos e para onde vamos? Muitos problemas,
no entanto, estão enraizados desde o dia em que
iniciaram um pequeno negócio, sem muita pretensão,
e acabou dando certo, independentemente da profissionalização
mínima necessária para sobreviver ao mundo-cão
em que o nível de competitividade foi ao extremo
com a globalização dos mercados.
Na
maioria das vezes, o próprio empresário
desconhece os problemas da empresa, mas sabe que eles
existem. Para quem passou boa parte da vida apostando
no espírito empreendedor e no chamado “tino
para os negócios” trata-se de tarefa árdua,
cujo esforço vai além da simples vontade
de mudança.
Identificar
as “fraturas expostas” não é
tarefa difícil. Porém, torna-se doloroso
admitir que a empresa não é mais a mesma.
Reconhecidamente, ser empresário no Brasil é,
antes de tudo, um ato de coragem. O maior incentivo
no país é a própria necessidade
de sobrevivência: mudar ou fechar as portas. Não
existe meio termo. A concorrência é dura,
acirrada e desleal.
Toda
mudança organizacional demanda quebra de paradigmas,
o que, por sua vez, ainda soma forte como “remar
contra a corrente” na cultura das empresas que
foram instituídas sobre o mito da empresa familiar.
O
empresário que se for por si só e confia
na sorte está com os dias contados e esse é
um dos principais problemas dessas empresas. É
o pai que sonha com o filho voltando do MBA, cheio de
idéias inovadoras e disposto a fazer tudo aquilo
que ele não conseguiu – ainda que cercado
dos melhores profissionais.
Mudar
a cultura organizacional e implantar uma nova filosofia
de trabalho é o maior desafio das pequenas e
médias empresas. O processo exige posturas muito
diferentes das utilizadas nas décadas de 70,
80 e início dos anos 90, quando os empresários
eram favorecidos por sucessivos planos econômicos
que maquiavam a realidade da empresa e premiavam até
mesmo a incompetência administrativa.
O
“santo” está dentro de casa e o milagre
passa a ser operado a partir do momento em que o próprio
dono toma a decisão sensata de sacudir a organização.
Uma simples decisão move o mundo.
Ainda
assim há um longo caminho pela frente, choro
e ranger de dentes, noites e noites de sono mal dormidas.
Mesmo diante do dilema de admitir que o negócio
vai mal, o grande desafio é ter consciência
da mudança, o que, de certa forma, facilita o
processo de conduzir a empresa para uma gestão
moderna, alinhada com os novos tempos de competitividade
e pressão a fim de garantir a continuidade do
seu negócio com lucro e satisfação
pessoal.
Jerônimo
Mendes
Consultor da Consult Consultoria Empresarial e Professor
da Disciplina de Empreendedorismo da Universidade Tuiuti
do Paraná