Esses poemas são dedicados aos pais e refletem tudo aquilo que eu imagino estar contemplado na profissão de pai. Ser pai é fácil, difícil é educar e obter o respeito dos filhos. Como dizia Khalil Gibran: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas do desejo da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de nós. E apesar de estarem convosco, não pertencem a vós. Podeis dar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos”.

Todos foram escritos no mês de agosto em homenagem ao Dia dos Pais.

 

QUERIDO PAI
OBRIGADO, PAI
DEUS É PAI
REFLEXÃO DE PAI
PAI DISTANTE
PAI
SONHO DE FILHO
EM NOME DO PAI E DO FILHO

 

 

 

QUERIDO PAI

Autor: Jerônimo Mendes


Há muito tempo desejo
te dar um belo presente,
mas o dinheiro que eu tenho
jamais será suficiente.

Pensei num carro importado,
um barco à vela, um avião,
um celular muito irado,
quem sabe uma bela mansão.

Queria ter dar o universo,
um mar coberto de flores,
um mundo menos disperso,
amenizar tuas dores.

Carros, barcos, aviões,
nada disso tem valor,
são meras alucinações
quando não existe amor.

O amor é algo distante
se não vem do coração,
quando os valores são falsos,
carregados de ambição.

Por isso, meu pai, eu te digo,
seja menos indiferente,
ser o teu melhor amigo,
será o meu melhor presente.


Agosto, 2005

 


OBRIGADO, PAI

Autor: Jerônimo Mendes


Pai do céu, muito obrigado,
por me dar esse presente,
ter filhos é algo sagrado
que muda a vida da gente.

Pai do céu, muito obrigado,
por me dar esse direito
de ser um pai esforçado,
apesar dos meus defeitos.

Pai do céu, muito obrigado,
por me dar essa missão,
ser pai de papel passado
é nada sem atenção.

Ser pai é muito difícil,
Não basta o simples querer,
Há que saber dividir
Carinho, amor e poder.

É algo que vem do instinto
e exige do coração
mais do a que simples mesada,
e algo mais que a razão.

Pois o pouco que fazemos
pensamos que é para o bem
e os filhos só dão valor
quando tem filhos também.


Agosto, 2004

 


DEUS É PAI

Autor: Jerônimo Mendes


Quando Deus criou o homem
um clarão no céu se abriu,
um sopro de vida, um nome,
e a natureza sorriu.

E Deus viu o homem sozinho
e então se fez presente
tentando achar um caminho
para alegrar o ambiente.

Meu filho, não tenhas medo,
Que hoje é segunda-feira,
vou te contar um segredo:
terás uma companheira.

E com ela terás filhos,
um futuro esplendoroso,
saberás o que é família,
o teu bem mais precioso.

Diante das dificuldades
que a vida irá te impor
serás um pai de verdade,
o alívio dos filhos na dor.

E quando a velhice chegar,
terás de volta o calor,
pois haverão de lembrar :
Do meu pai só tive amor !


Agosto, 2003

 


REFLEXÃO DE PAI

Autor: Jerônimo Mendes


Muito cedo a religião
martelou no meu ouvido:
tu és um privilegiado,
tenha no pai um amigo.

Mas o tempo foi passando
e a verdade sempre dói,
cansei de tanto esperar
um pai com pinta de herói.

Pensei com os meus botões:
eu não tenho esse direito
de querer um pai assim,
somente Deus é perfeito.

Agora que o pai sou eu,
pouco menos exigente,
quero aprender com os erros
a ser um pai diferente.

Um pai seguro e feliz
sem remorso nem rancor,
talvez aquele que eu tive,
mas não soube dar valor.

Com toda sinceridade,
é duro seguir nos trilhos,
um pai herói de verdade
não mede o amor pelos filhos.


Agosto, 2002

 


PAI DISTANTE

Autor: Jerônimo Mendes


Eis que vemos nele um ombro amigo
disposto a preencher aquele vazio,
a segurar nossa mão ante o perigo
e a nos livrar de um futuro sombrio.


Sua palavra é mais que um simples abrigo
para o filho que se mostra arredio,
embora nem sempre esteja contigo
há de aquecê-lo se estiver com frio.


Mas quando se tem um pai distante
bate aquela mesma tristeza da criança
que, longe dos pais, se sente perdida;


Porém, agora, muito mais que antes,
devo aos meus filhos toda a esperança
de ser um pai exemplo de vida.


Agosto, 2001

 


PAI

Autor: Jerônimo Mendes


Às vezes põe medo na gente,
por vezes sereno e amigo,
longe de ser uma mãe,
ausente, mesmo presente.

Herói de fim?de?semana
a fugir da realidade,
herói na beira da cama
por um instante, quem sabe.

Pai filósofo do grito,
do chinelo e do castigo,
porção de cenho cerrado,
nem sempre o melhor amigo.

A que filho então pertence
o filho da sociedade,
que faz o filho, contudo,
a si mesmo não convence ?

O pai está dentro de nós,
voz suave e melodiosa,
o qual eu sempre quis ter,
mas é difícil de ser.

Pai, ajuda-me a ser pai
não apenas no papel,
um pai que levanta e cai,
um pouco do Pai do Céu ! ! !


Agosto, 1999

 


SONHO DE FILHO

Autor: Jerônimo Mendes


Papai, você foi um dia
tudo aquilo que pensei
e quando acordei não sabia
se era fato ou se sonhei.


Na verdade o que eu queria
é que você fosse o rei
na terra que eu sempre dizia :
aqui o amor faz a lei.


Mas você partiu um dia
para outra moradia
e eu não acreditei.


Foi-se então a alegria
que fez de nós algum dia
a família que eu amei.


Agosto, 1998

 


EM NOME DO PAI E DO FILHO

Autor: Jerônimo Mendes


- Por favor, filho, hoje não,
hoje o pai está quebrado,
teve o dia muito cheio,
não quer ser incomodado.

- Sabe, papai, há quanto tempo
eu espero teu abraço
e talvez ainda o beijo,
apesar do teu cansaço ?

- Vai jogar vídeo e brincar,
fica lá no teu quartinho,
quero deitar no sofá
e ver o filme sozinho.

- Eu sei, papai, é difícil,
agenda sempre lotada,
compromissos importantes
no meio da madrugada.

- Vê se faz pouco barulho,
quero ler uma revista,
assistir o meu jornal
sem perder a entrevista.

- Olha, papai, eu preciso
de carinho e atenção,
quero mostrar meu sorriso,
apertar a tua mão.

- Desculpe, filho, mas hoje
não podemos mais brincar,
procure dormir mais cedo
que eu cedo vou levantar.

- Eu tenho inveja, papai,
dos meus amigos de escola,
cujos pais jamais esquecem :
domingo é dia de bola.

- Amanhã, se der, brincamos,
vamos até conversar
e quem sabe ainda jogamos
antes de o papai viajar.

- Papai, meu maior desejo
é ter você do meu lado,
num instante de carinho
fazer me sentir amado.

- Quando voltar de viagem,
se não estiver cansado,
sairemos para o parque
e você será lembrado.

- Estou crescendo, papai,
muito rápido, é verdade,
talvez no futuro eu possa
entender a realidade.


Agosto, 1996