Um
jogo silencioso está acontecendo neste
exato momento dentro da sua empresa. Você
pode não conhecer as regras nem saber exatamente
quais são os jogadores e suas intenções,
mas a verdade é que ele pode colocar em
risco o seu emprego e a sua carreira. Esse jogo
tem um nome: politicagem. É a famosa rede
de intrigas, encabeçada por uma pessoa
ou mesmo um grupo para obter vantagens pessoais
e, em alguns casos, até prejudicá-lo.
Trata-se de um mal crônico nas empresas.
Na pesquisa para a edição de 2004
do Guia EXAME – VOCÊ SA — As
Melhores Empresas para Você Trabalhar, politicagem
e favoritismo aparecem como a principal fonte
de insatisfação dos funcionários
de todo o país.
Boa parte das boas empresas para trabalhar tem
procurado combater esse problema. Fazem isso por
meio, por exemplo, da avaliação
360 graus, da instalação de linha
0800 para denúncias, de comitês de
ética e de cafés da manhã
com altos executivos. Apesar de todo o esforço,
o fato é que a política (a indispensável
arte de conquistar aliados para seus projetos
e estratégias) muitas vezes é confundida
com politicagem — assim como nos gabinetes
em Brasília. “Na politicagem, há
sempre três fatores presentes: status, poder
e prestígio”, afirma Francisco Pierroti,
consultor da Mandelli Consultores Associados,
de São Paulo. “Até uma simples
mudança de layout do escritório
pode provocar uma guerra acirrada, com as pessoas
articulando estratégias para ficar com
o melhor espaço ou a sala de canto.”
A politicagem no ambiente de trabalho age como
uma doença que mina a energia da vítima
de maneira traiçoeira, sem que ela perceba
seu avanço. Os ataques podem acontecer
das mais variadas formas. Por exemplo:
• Um colega de trabalho que entra toda semana
na sala do seu chefe para, discretamente, falar
mal de você.
• O chefe que promove uma pessoa menos competente
do que você simplesmente por ser mais amigo
dela.
• O líder que esquece você
ao distribuir elogios e premiações
por bom desempenho.
• Os colegas que começam a boicotá-lo
nas reuniões criticando suas idéias
e sugestões.
A
“fritura” é lenta e gradual
As vítimas da politicagem acabam suportando
a pressão por medo de perder o emprego
ou porque a politicagem é tão sutil
que nem a própria pessoa tem certeza de
que está sendo fritada. O engenheiro Ricardo
Mansur, de 41 anos, até hoje não
sabe ao certo por que perdeu o cargo de gestor
de tecnologia de uma das principais tradings mundiais,
onde trabalhou por 11 anos. Durante o período
em que esteve na empresa, ele afirma ter desenvolvido
mais de cem projetos e gerado economia da ordem
de 1,5 milhão de dólares por ano.
Em 2001, executou a reformulação
da rede de tecnologia da empresa para prepará-la
para seu novo ciclo de crescimento. E foi justamente
aí que seu drama começou. “Meu
chefe mudou de comportamento de uma hora para
outra e até agora não entendi bem
as razões para isso”, diz ele. “Não
me chamava mais para participar de reuniões
importantes, nunca tinha tempo para me receber
em sua sala, não dava feedback e me preteria
na hora das premiações e na indicação
para receber bônus.” O jogo durou
três anos, culminando com sua demissão,
em janeiro. De nada adiantou ser um profissional
experiente e dono de um currículo consistente,
que inclui uma especialização em
tecnologia de informação. “Acho
que isso aconteceu porque a empresa já
tinha alcançado a capacitação
esperada em tecnologia de informação
e eu me tornei desnecessário”, diz.
“Outra hipótese pode ter sido a idade,
pois boa parte das empresas não gosta de
quem chega aos 40.”
Mansur perdeu o emprego no auge da sua produtividade
e potencial de ascensão. Um prejuízo
que não há como ser indenizado.
Aliás, as chances de uma ação
para reparar perdas geradas por politicagem são
mínimas, segundo a advogada Nancy Tancsik
de Oliveira, do escritório Lourenço
de Oliveira Advogados, de São Paulo. “Além
de não existir leis nesse sentido, é
difícil reunir provas que comprovem os
danos ao funcionário, pois é um
jogo dissimulado que acontece na maioria das vezes
na esfera verbal”, diz ela. Como provas,
entenda e-mails, bilhetes e testemunhas que comprovem
o jogo.
Um dos casos mais clássicos de fritura
é o do chefe que se sente ameaçado
com a alta performance de seu funcionário.
Aí, sem saber lidar com o crescimento e
o brilho do subordinado, sabota o profissional
até conseguir tirá-lo do jogo. O
executivo piracicabano Jorge Rys Júnior,
de 36 anos, sabe bem o que é isso. Em 2002,
ele foi contratado como gerente de mercado por
uma das maiores redes de eletroeletrônicos
do país. Sua meta? Reverter resultados
de umas das regionais que estava no negativo.
Assumiu o posto e não só conseguiu
atingir os objetivos como cresceu. Tanto que,
depois de quase três anos de companhia,
já gerenciava 23 lojas na cidade de São
Paulo. Coordenava uma equipe de 30 gerentes de
loja, 400 vendedores e 200 funcionários
administrativos. “Minha área era
responsável por 20% do faturamento da empresa”,
diz Rys Júnior. Com um perfil de empreendedor,
Rys criou no mesmo período um departamento
de marketing direto e vendas corporativas para
a empresa. Como se vê, tudo andava muito
bem para o jovem executivo. Pela rádio-peão,
ficou sabendo até que seu nome havia sido
cotado para a diretoria regional de São
Paulo, posto em aberto.
No entanto, em abril deste ano, outro executivo,
vindo da regional centro-oeste, virou seu chefe.
Rys conta que tentou recepcioná-lo da melhor
forma possível. Abriu todas as portas,
repassou informações, se colocou
à disposição para visitas
e viagens. No entanto, assim que assumiu definitivamente
o cargo, o diretor começou a detoná-lo.
Visitava as lojas e dizia que tudo estava péssimo.
Depois de uma das apresentações,
fez o seguinte comentário: “Sua reunião
é uma m... Muita tecnologia não
serve para nada”. Rys havia usado data show
e laptop. Adepto de tecnologia, costumava andar
até com uma câmera digital para registrar
as visitas às lojas.
As críticas e comentários não
pararam, até o dia em que o diretor sugeriu
que Rys saísse de férias para descansar.
“Neste momento, percebi que algo estava
errado. E resolvi abrir o jogo e perguntar se
pretendia me demitir após as férias”,
conta o economista e administrador de empresas.
“Ele disse que não, que nada ia mudar.”
Aconteceu exatamente o contrário. A razão?
Outra resposta clássica: redução
de custos. “Fui demitido porque incomodei
meu chefe”, diz Rys. Resultado do desgaste:
15 quilos a mais e hipertensão. Hoje, Rys
assume que faltou-lhe um pouco de malícia.
“Mas isso não mudou minha meta. Sou
proativo e empreendedor, e vou continuar assim.”
Atualmente, o executivo está em fase final
em vários processos de contratação.
Fraquezas
humanas
“As pessoas agem assim por insegurança,
medo, ganância, inveja e uma ambição
neurótica pelo poder e o status”,
diz Moacir Carlos Sampaio Silva, consultor de
comportamento organizacional e coordenador da
pós-graduação em psicologia
social das organizações no Instituto
Sedes Sapientiae, de São Paulo. “Os
profissionais mais competentes geralmente não
primam pelo marketing pessoal e a politicagem
acaba equilibrando a disputa para quem não
é tão talentoso”, explica.
“Por isso, quem recebe a promoção
não é o melhor e sim aquele que
é mais conveniente para o líder
ou para a companhia.” A realidade atual
das empresas contribui para que o jogo de politicagem
prolifere. As chances de ascensão profissional
são cada vez menores por causa dos poucos
cargos de liderança existentes atualmente
nas organizações. Passar por esse
funil requer competência — ou algum
talento para a politicagem. Ela é praticada
em todos os degraus do organograma, mas é
no nível gerencial que se dissemina como
praga.
É ali que a briga por poder e a insegurança
sobre o futuro criam o terreno fértil para
o joguinho político. Quem está nessa
posição recebe pressão de
todos os lados e faz de tudo para preservar o
cargo. Quando a briga é por poder e controle,
tudo pode representar uma ameaça ao alpinista
corporativo. O ex-executivo Marco Antonio Glória
Azevedo, de 55 anos, diz que foi jogado aos leões
porque não pensava da mesma maneira que
seu chefe. Ele trabalhava numa empresa do interior
de São Paulo pertencente a dois grupos,
um brasileiro e outro francês. Os desentendimentos
entre os sócios em relação
às estratégias de negócios
se acentuavam a cada dia. Azevedo apoiava a posição
dos brasileiros. Seu chefe, o lado francês.
“Isso provocou uma guerra interna entre
alguns setores”, afirma. Azevedo logo percebeu
que sua fritura tinha começado. “Um
dia chegou o fogão, no outro o óleo
e por fim a frigideira”, diz. Em outras
palavras: Azevedo foi colocado de lado. Seus projetos
eram ironizados pelo diretor e as críticas
tinham quase sempre uma conotação
pejorativa. “Ele tentava inviabilizar todas
as minhas iniciativas. Passou a tirar projetos
de mim, numa tentativa de diminuir meu poder de
ação. Além disso, me excluiu
do processo de decisão.”
Azevedo chegou a procurá-lo para uma conversa
franca, mas de nada adiantou. “Ele negou
categoricamente a fritura e disse que eu era importante
para a empresa. Essa é uma atitude perniciosa,
pois provoca um desgaste emocional muito grande”,
diz. “Eu teria ficado fortemente abalado
se não tivesse percebido o jogo. Decidi
procurar os líderes do lado brasileiro
que tinham me colocado lá e negociei minha
saída.” Agora, Azevedo decidiu ser
empreendedor. Está virando sócio
de uma construtora de obras públicas. Diz
ter perdido a vontade de voltar a ser empregado.
“Quero ter um negócio para exercer
as minhas convicções.”
Quando a politicagem perde seu caráter
silencioso e sutil, se transforma em assédio
moral. Para chegar a esse estágio mais
grave, quem pratica politicagem geralmente percorre
dois caminhos, de acordo com a psicóloga
e médica do trabalho Margarida Barreto,
especialista em assédio moral.
O primeiro deles é fazer intrigas, boatos
e fofocas para atingir a competência do
profissional. Quando isso não surte efeito,
vêm os ataques pessoais, para desmoralizar
e acabar com a auto-estima da vítima. O
assédio moral é caracterizado por
relações autoritárias, desumanas
e antiéticas. A politicagem é mais
amena, pois mira no terreno profissional da vítima,
em geral levando-a a mudar de emprego. Foi o que
a assistente de compras Iracema Santos, de 28
anos, diz ter sofrido por parte de um grupo de
gerentes de uma grande rede varejista onde estava
desde 2000, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Devido
ao seu bom desempenho, Iracema foi promovida com
dois meses de casa e recebeu um aumento salarial
de 30% depois de oito meses. O diretor da área
não lhe poupava elogios em público.
Aos poucos, Iracema começou a assumir as
mesmas responsabilidades dadas aos gerentes, embora
não tivesse o cargo de fato. “Meu
diretor me chamava para participar das reuniões
do nível gerencial e se interessava em
ouvir minha opinião.” Não
demorou muito, os holofotes estavam em Iracema.
Foi justamente nessa fase que o diretor mudou
de área.
A partir daí, o fogo cruzado sobre ela
aumentou. Como não podiam acusá-la
de ser uma profissional incompetente, já
que os resultados de seu trabalho estavam acima
da média esperada, iniciaram um ataque
que a atingia pessoalmente. “Quando se referiam
a mim, diziam que eu era uma coordenadorazinha
que pensava ser alguma coisa na vida”, diz.
Ela saiu de férias e, quando voltou, recebeu
o aviso de que estava demitida. “Durante
todo esse processo, as minhas forças se
esvaíram e precisei tomar remédio
para o estresse”, diz. “Agora, eu
me pergunto por que agüentei isso por mais
de dois anos?”
Os
mecanismos de defesa
Os profissionais que são vítimas
de politicagem e favoritismo acabam aprendendo
lições importantes e também
criando mecanismos de defesa para não cair
novamente em futuras armadilhas. Iracema afirma
que não tolerará mais um ambiente
hostil por muito tempo. Do seu processo de fritura,
ela diz que aprendeu a ter mais paciência
e flexibilidade com as pessoas. “Eu me entregava
de corpo e alma à equipe e descobri que
isso é inviável”, afirma.
“As pessoas são inseguras e, em determinadas
situações, cruéis”.
Hoje, diz que procura se preservar, não
se destacar tanto nem falar muito de suas qualificações.
“Quando tenho novas idéias, guardo
algumas cartas para apresentar na hora certa.”
Já Ricardo Mansur diz que aprendeu a ler
nas entrelinhas, a desconfiar do que está
por trás do que os colegas dizem. “Hoje
eu tenho mais cuidado”, afirma. “A
transparência das pessoas é aquela
que é possível e não a ideal.”
Afinal, não há emprego perfeito.
“Ninguém dá a mínima
para o que você sente no trabalho, portanto,
equilibre-se na balança da vida e seja
menos amargo”, diz o consultor Jerônimo
Mendes em seu livro Oh, Mundo Cãoporativo!
(Ed. QualityMark). Infelizmente, “nele [no
mundo corporativo] não há lugar
para franqueza nem autenticidade, somente para
resultados, facilmente alcançados por alguém
que sorri ao lado e tem objetivos claramente definidos:
conquistar o teu lugar”. Mas atenção:
não vire um paranóico. Perder tempo
com mania de perseguição pode colocar
você no olho da rua! A política é
inevitável. Você precisa aprender
a jogar esse jogo respeitando os seus limites.
“Meu chefe mudou de comportamento de uma
hora para outra e até agora não
entendi bem as razões para isso.”
Ricardo Mansur: ex-gestor de tecnologia, agüentou
três anos de fritura antes da demissão:
“Fui demitido porque meu chefe se sentiu
ameaçado pelo meu desempenho. Mas isso
não mudou a minha meta. Continuo proativo
e empreendedor”. Jorge Rys Júnior:
Hipertensão e 15 quilos a mais depois da
fritura em uma das maiores redes de eletroeletrônicos
do país: “Eu teria ficado fortemente
abalado se não tivesse percebido o jogo
de politicagem.” Marco Antonio Glória
Azevedo: a fritura começou quando ele ficou
do lado oposto ao do chefe em relação
às estratégias da empresa: “Minhas
forças se esvaíram e precisei tomar
remédio para o estresse.” Iracema
Santos: os gerentes da empresa onde trabalhava
se sentiram ameaçados pela rápida
ascensão da assistente de compras.
Manual
do trapaceiro
Se
você quer sobreviver no ambiente de trabalho,
aprenda a reconhecer as armas de ataque e de defesa
da politicagem. O livro As 48 Leis do Poder (Editora
Rocco, 460 páginas), do jornalista e dramaturgo
Robert Greene e do produtor gráfico Joost
Elffers, está longe de ser um manual da
ética. Na verdade, estimula o pior tipo
de politicagem. Confira algumas das polêmicas
teorias dos autores:
PODER
1.
O poder requer a capacidade de jogar com as aparências.
Assim, você tem de aprender a usar muitas
máscaras e ter uma cartola cheia de truques.
Todas as intenções humanas exigem
que se trapaceie em muitos níveis e, de
certa forma, o que distingue os humanos dos animais
é a nossa capacidade de mentir e enganar.
2. Se você deseja poder, ponha imediatamente
a honestidade de lado e comece a treinar a arte
de dissimular suas intenções.
3. É uma falha de percepção
mortal, porém comum, acreditar que exibindo
e alardeando os seus dons e talentos você
está conquistando o afeto do chefe. Ele
pode fingir apreço, mas na primeira oportunidade
vai substituir você por alguém menos
brilhante, menos atraente e menos ameaçador.
4. Se você é mais inteligente do
que o seu chefe, aparente o oposto: deixe que
ele pareça mais inteligente do que você.
Mostre ingenuidade. Faça parecer que você
precisa da habilidade dele.
AMIGOS
E INIMIGOS
5.
Cautela com os amigos — eles o trairão
mais rapidamente, pois são com mais facilidade
levados à inveja. Eles também se
tornam mimados e tirânicos.
6. Seus inimigos, por outro lado, são uma
mina de ouro escondida que você deve aprender
a explorar. Sem inimigos à nossa volta,
ficaríamos preguiçosos. Um inimigo
nos nossos calcanhares aguça a nossa percepção,
nos mantém concentrados e alertas.
OBJETIVOS
7.
Mantenha as pessoas na dúvida e no escuro,
jamais revelando o propósito dos seus atos.
Não sabendo o que você pretende,
não podem preparar uma defesa.
Defenda-se
A
politicagem está presente em todas as empresas,
mas você pode se proteger.
Veja os conselhos dos especialistas
1. Evite deixar assuntos subentendidos. Não
caia na armadilha do pressuposto. O que é
óbvio ou implícito para uns pode
não ser para outros.
2. Torne explícitas as suas dúvidas
e procure conhecer quais são as expectativas
das pessoas com quem você interage profissionalmente.
Isso vale para chefe, pares, subordinados, fornecedores
e clientes.
3. Não espere por feedback. Peça.
Mas lembre-se que muita carência pode ser
considerada insegurança.
4. Ao consultar o chefe sobre um problema, leve
soluções já pensadas por
você. Coloque o foco da conversa na ajuda
dele para definirem juntos a melhor.
5. Se estiver sendo vítima de politicagem,
converse com as pessoas envolvidas e seja franco
e direto.
6. Se o problema caminhar para o assédio
moral, procure reunir provas concretas, como bilhetes,
e-mails, cartas e, dependendo do caso, gravações
telefônicas em que você participe
do diálogo.
A
diferença do Sul
É
possível que empresas de uma determinada
região sofram menos de politicagem que
outras? Empiricamente, parece que sim. Na lista
das melhores empresas para você trabalhar
no país deste ano, as do Sul são
as que têm funcionários que menos
reclamam do assunto. O que elas têm em comum?
Em primeiro lugar, a maioria é comandada
por líderes que trabalham próximos
de suas equipes. Em segundo, a comunicação
interna eficiente contribui para a divulgação
dos valores e da missão. E, em terceiro,
elas combatem abertamente as fofocas e a boataria.
Na Todeschini, em Bento Gonçalves (RS),
a melhor empresa para trabalhar de 2004, o presidente,
José Eugênio Farina, toma café
diariamente com os funcionários. Aproveita
para conversar e dar seus recados individualmente.
Farina adota a simplicidade como regra número
1 de comportamento. “Ninguém está
autorizado a tratar mal outro por causa de sua
posição hierárquica”,
diz ele. “Dessa forma, qualquer um que se
sentir vítima de politicagem ou favoritismo
poderá falar sem receios.”
Na Tigre, com sede em Joinville (SC), cada um
conhece seu potencial e as condições
e regras para promoções, que foram
avaliados por uma consultoria externa. O presidente,
Amaury Olsen, estimula as pessoas a trabalhar
em áreas diferentes e a desenvolver seu
potencial. “Como as regras são claras,
as chances de alguém se sentir injustiçado
ou preterido diminuem”, afirma Olsen. Na
Landis+Gyr, em Curitiba, o principal objetivo
do presidente Álvaro Dias é eliminar
qualquer foco de boatos e informações
infundadas. Para isso, circula pela empresa e
conversa abertamente com todos. Assim diminui
as chances de reclamação em situações
como promoções ou distribuição
de lucros. “Dessa maneira, os boatos e fofocas
não contaminam a empresa”, afirma
Dias.
Teste - você está sendo fritado?
O
teste abaixo irá ajudá-lo a responder
a essa pergunta. Leia as afirmações
abaixo levando em conta como você percebe
seu relacionamento no ambiente de trabalho em
cada um dos aspectos apresentados. Atribua para
cada afirmação uma das seguintes
notas:
2
pontos
Sim. Isso ocorre freqüentemente
1
ponto
Em parte. Acontece algumas vezes
0
ponto
Raramente ou nunca acontece
(
) Seu chefe não convida mais você
para reuniões importantes.
( ) Você não recebe convites para
eventos sociais que antes freqüentava.
( ) Seu chefe está menos acessível
(não tem tempo para você, mas tem
tempo para os outros).
( ) Você vem perdendo regalias (vaga no
estacionamento, reembolsos, acesso à internet).
( ) Os comentários sobre o seu trabalho
são sempre críticos e para apontar
defeitos.
( ) Faz tempo que você não recebe
novas incumbências e suas propostas são
engavetadas.
( ) Seu chefe contata, recebe, passa tarefas e
consulta os subordinados que se reportam a você.
( ) Quando você solicita algum feedback
ouve o chavão “Conversaremos oportunamente”.
( ) Seu chefe não olha nos seus olhos quando
é inevitável conversar com você.
( ) A secretária do chefe se torna um anteparo:
bloqueia acesso e só repassa recados.
( ) Novas idéias e contribuições
suas não são bem recebidas (e são
até ironizadas).
( ) Quando você propõe algo, seu
chefe questiona: “Você está
querendo me desafiar?”
( ) Você está se sentindo isolado,
por fora das coisas, percebe que a informação
não chega.
( ) Ultimamente você tem almoçado
sozinho, até outros colegas começam
a se afastar.
( ) Você sai deprimido e desmotivado de
cada encontro que tem com o seu chefe.
TOTAL ( )
CONFIRA
SUA PONTUAÇÃO
Até
7 pontos: Alegre-se. Você está bem
na foto.
De
8 a 14 pontos:
Padrão provolone. Esta faixa representa
um mal-estar circunstancial, perfeitamente reversível.
Provavelmente, com uma conversa franca e com um
feedback bem assimilado, você poderá
mudar alguns comportamentos e evitar um processo
de “fritura”. Convém não
vacilar. Você pode ser engolido cru mesmo.
De
15 a 22 pontos:
Padrão batata. Cuidado. A menos que seu
chefe seja extremamente tímido, desligado
ou muito ocupado, seguramente já foi dado
o início do seu processo de “fritura”.
Lembre-se: a batata leva um pouco mais de tempo
para fritar... Você está recebendo
diversos sinais de que seu pedido de demissão
é bem-vindo.
Acima
de 22 pontos:
Padrão pastel. Conforme-se e parta para
outra. Você está irremediavelmente
frito — e olhe que pastel frita rápido!
Este teste informal integra a série REFLEXÕES
BEM-HUMORADAS, dos programas de desenvolvimento
gerencial da portfólio Sedes Consultoria.
Supervisão do professor Moacir Carlos Sampaio
Silva. |