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A
RAÍZ DE TODO O MAL
Jerônimo
Mendes
Administrador e Palestrante
Autor de Manual do Empreendedor (Atlas)
A
inveja é o mais sincero dos elogios, diz o ditado,
entretanto, na maioria dos casos, esse infeliz predicado
é utilizado de maneira negativa e torna-se nocivo
tanto para a pessoa invejada quanto para a pessoa incapaz
de reprimi-la. Você conhece alguém capaz
de reconhecer a própria inveja como virtude?
Apesar de a inveja ser uma característica predominante
no ser humano, a maioria de nós se diz uma pessoa
de caráter, humilde, livre de preconceitos e
da soberba.
A
inveja é tão antiga quanto o homem das
cavernas. Aliás, no tempo das cavernas, o homem
praticava a inveja por questão de sobrevivência.
Apropriava-se da comida alheia, da mulher alheia, da
propriedade alheia porque, naquela época, a razão
era uma virtude inexplorada e, tal como os animais,
a disputa por espaço e alimento era constante,
apesar da abundância. Portanto, essa necessidade
era, até certo ponto, justificável. Era
o triunfo da emoção sobre a razão.
Milhares
de anos depois, a inveja continua impregnada no DNA
humano. Ela está presente nas famílias
mais humildes, mais nobres e mais tradicionais da nossa
sociedade, nas escolas, nas ruas, nos clubes, nos prostíbulos,
nas empresas e nos governos. Infelizmente, esse mal
atinge os mais diferentes níveis hierárquicos
das empresas, os nossos jovens, os nossos vizinhos e
até mesmo as nossas crianças a partir
de determinado momento de sua existência.
Desde
os tempos mais remotos, o ser humano alimenta essa tendência
irracional de cobiçar aquilo que não lhe
pertence por merecimento. A capacidade de raciocinar
ou entender os motivos que beneficiam ou privilegiam
determinadas pessoas é geralmente atropelada
pela necessidade de satisfazer os próprios desejos
com o mínimo de esforço possível.
O
marginal que aspira a um tênis de marca ou a um
celular de última geração e, por
conta disso, é capaz de tirar a vida de alguém,
alimenta dentro de si um profundo sentimento de inveja
e ao mesmo tempo de indiferença pelo esforço
alheio. É o ser desprovido de razão e
discernimento. Diferente dos animais e dos marginais,
o ser humano comum que age de maneira semelhante alimenta
um sentimento ainda pior considerando a plena consciência
de seus atos.
Pois
bem, não se preocupe com o carro novo do seu
vizinho, a promoção do seu colega, o novo
apartamento do seu primo ou aquela esposa maravilhosa
do seu irmão. Dinheiro, bens materiais, posses
em geral, são generalidades que nos trazem relativo
conforto temporário, mas não nos livram
da inveja, pois sempre que um novo bem é adquirido,
nossa inveja renasce e iniciamos a busca de outros,
preferencialmente de valor maior do aquele adquirido
pelos nossos rivais.
Pausa
para reflexão: não é à toa
que a inveja é considerada um dos sete pecados
capitais na tradição católica,
pois reflete o desejo humano exagerado por posses, títulos,
status, bens materiais e outras qualidades encontradas
nas demais pessoas. Lembre-se: a inveja é um
sentimento vil que faz o ser humano ignorar tudo o que
possui e cobiçar tudo o que não é
capaz de possuir por esforço ou vontade própria.
Em suma, todo esforço é canalizado para
o lado negativo gerando um verdadeiro desperdício
de energia vital.
A
origem de todo o mal está dentro de nós
e o desejo, por si só, é a sua principal
fonte, entretanto, existem alguns momentos em que a
inveja se justifica, quando olhamos para pessoas bem-sucedidas
e as tomamos como um exemplo a ser seguido, sem necessariamente
cobiçar suas posses. Assim, podemos desafiar
a nós mesmos a superar os próprios limites
e sair em busca de algo que nos imprima sentido e realização.
Ao
contrário do que muitos pensam, a inveja é
a raiz de todo o mal e não o dinheiro. Como diria
Gandhi, o dinheiro não é mau, mas o uso
que fazem dele transformam-no num mal. O que podemos
fazer contra nossa inveja reprimida? Devemos sufocá-la
até o último suspiro. Se for impossível
na prática, devemos administrá-la da melhor
maneira para evitar que destrua nossos valores, nossos
princípios e nossas virtudes. Somente quando
nos livramos definitivamente dessa maldição
antropológica é que teremos, de fato,
condições de realizar sonhos e de fazer
a diferença no mundo. Pense nisso e seja feliz!
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