DOR E SUCESSO

Jerônimo Mendes
Administrador, Escritor, Palestrante e Professor Universitário
Autor do livro Oh, Mundo Cãoporativo! Lições e Reflexões

Ninguém está ligando para o teu choro. A vida é um combate e o sucesso é feito de muita dor. Não há como fugir da competição no mercado de trabalho, para a qual a grande maioria não está preparada e que, por essa razão, alimenta tamanha discórdia e altos níveis de adrenalina e endorfina no mundo corporativo.
As pessoas costumam associar o sucesso à alegria, às conquistas materiais, ao dinheiro, ao poder, à satisfação, ao prazer, à vitória, ao crescimento e à prosperidade, porém estão alimentando uma realidade incompleta. Quando alguém começa a sentir-se a melhor pessoa do mundo, acima de tudo e de todos, está à beira do abismo.
Chega de ilusão! O mundo é uma competição permanente onde somos obrigados a travar batalhas diárias pela sobrevivência e reconhecimento na sociedade em que vivemos sorrindo o tempo todo, nem sempre de maneira espontânea.
O cérebro humano aproveita pouco do seu potencial e, embora pese apenas 2% da massa corporal, consome aproximadamente 20% da energia armazenada para as atividades do corpo durante o dia. Isto significa que o cérebro enfrenta uma guerra para manter o ânimo e o moral elevado diante de tanta pressão.
Creio que o Brasil não vive uma crise, mas uma competição sem precedentes na história do país. Nunca se viu tantas farmácias, lojas, shopping centers, montadoras de veículos, postos de combustíveis, hotéis, faculdades, supermercados e hipermercados abrindo ao mesmo tempo. Cervejas, achocolatados, biscoitos, tintas, cosméticos, computadores, águas minerais, celulares e centenas de outros produtos entram no mercado diariamente.
O volume de lançamentos não pára, a disputa é ferrenha, desleal. Até as igrejas estão disputando a fé dos fiéis, como se fosse algo simples, porém é passível de manipulação e extremamente rentável, principalmente para os criadores de uma nova ordem ou seita, sem qualquer fundamentação, de filosofia duvidosa.
A competição é perversa. Centenas de empresas abrem e fecham em poucos meses, pois a dura realidade é que ninguém precisa do teu produto. Acabou o saudosismo, o culto à marca, a fidelidade ao fabricante. O choque de ofertas não impressiona mais e o consumidor dita as regras, frio e implacável. A guerra da mídia é impressionante.
Teoricamente, nenhum negócio será bom por muito tempo. Os empregos estão escassos. Por essas e outras razões o ser humano fica desorientado tentando encontrar um caminho, contrário ao abismo, sem perder a identidade, mas o instinto fala mais alto e por vezes ele perde a cabeça, rouba, mata, torna-se desleal, patético, frio, cavernoso.
O espírito de competição desperta sentimentos de impotência, pessimismo e intolerância. Há muita gente sofrendo, fruto da má fé e da ganância, mas há também gente crescendo de forma honesta, sem necessariamente puxar o tapete alheio.
Esse mundo que nos parece impossível é o mundo que devemos acreditar e conquistar, sem choro, sem reclamação, sem olhar para trás. Quem olha para trás é atropelado por aqueles que não tem tempo para reclamar e fazem do trabalho honesto uma bandeira. No mundo guiado pela informação qualquer um aprende a fazer tudo com extrema rapidez.
O grande consolo é o fato de não conhecermos ninguém que tenha prosperado sem trabalho árduo, dor e cansaço, fazendo somente o que gosta. Os grandes craques, astros do cinema e empresários bem sucedidos tiveram momentos de dor, anos de luta e uma fé inabalável em Deus antes da glória.
A dor passa, o cansaço também. O sabor da prosperidade ninguém poderá tirar, pois ficará impregnado em nossa mente, alma e coração. Nada no mundo mudou mais do que o concorrente e o consumidor, razão pela qual as empresas se desesperam em busca de maior eficiência, lucro e trabalho dobrado pela metade do preço.
Nenhum emprego é seguro, estável e tranqüilo, mas não se deve esmorecer. O pânico neutraliza o que o ser humano tem de melhor: inteligência para reverter a situação. A competição é fato, não há como virar as costas para ela. Está presente na vida pessoal e particular espezinhando nossa comodidade a todo instante.
Somos feitos de corpo e espírito, porém é preciso ser de ferro ante as provações do mundo que não permite vacilo. Maquiavel dizia que é mais fácil o ser humano esquecer a perda de um ente querido do que uma perda financeira. É duro, mas digno de reflexão. Superar uma perda exige espírito forte e a competição hoje exige muito do espírito, acredite.
O crescimento do ser humano é diretamente proporcional às dores que suporta, uma regra universal. Não basta sonhar com o sucesso, é preciso acordar cedo, ter fé e disposição, trabalhar duro, acreditar no impossível para não ser esmagado pela concorrência.
Mágoas, dores, cansaço e reclamação também são copiados facilmente. Lembre-se que sempre existe um desesperado na fila aguardando a tua queda, portanto, não chores, meu filho...

Não chores, meu filho,
Não chores, que a vida
É luta renhida,
Viver é lutar;
A vida é combate
Que os fracos abate,
Os pobres, os fortes,
Só pode exaltar!
Gonçalves Dias