| ESTRELAS
SOLITÁRIAS
Jerônimo
Mendes
Administrador, Escritor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark)
e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento
Local
O
mundo corporativo é semelhante a uma constelação
onde algumas estrelas brilham mais do que as outras.
A maioria convive amistosamente e luta de forma desesperada
para brilhar nesse universo extremamente competitivo,
porém algumas vivem para ofuscar o brilho das
estrelas menores a fim de se tornar o centro das atenções
ainda que isso acabe ofuscando o seu próprio
brilho.
Em
muitas empresas é possível encontrar essas
superestrelas de ego insustentável. Profissionais
de todos os tipos, com ou sem diploma, experientes ou
não, amigos do patrão e da patroa, recomendados
pelo presidente ou pela esposa do presidente, estrelinhas
recém-formadas com seus MBA’s de consistência
duvidosa, bons de jogo de cintura e ótimos no
discurso, principalmente quando há platéia,
e outros capazes de administrar o cinismo diante da
desgraça alheia fazem parte dessa constelação
de superegos travestidos de líderes.
Provavelmente
você já teve a oportunidade de conviver
com algumas dessas estrelas que receberiam com louvor
o título de doutor “son of bitch”
por sua impressionante contribuição na
geração da discórdia, no exercício
da humilhação e na destruição
de valiosos talentos do universo corporativo contanto
que seu brilho fosse o mais notado pela alta administração.
Você
não está livre de encontrar estrelas assim
pela frente. Em geral, são estrelas solitárias
que aterrissam nos cargos mais cobiçados da empresa
a peso de ouro, prontas para cometer desvarios inexplicáveis
em nome de uma suposta necessidade de mudança.
Infelizmente, muitas delas são produtos da mídia
que está sempre em busca de caras novas e polêmicas
dispostas a arriscar toda sua reputação
em troca de uma autopromoção a qualquer
custo.
Em
alguns casos, o brilho dessas estrelas dura pouco, mas
é suficiente para provocar danos irreparáveis.
Em outros, o brilho dura meses, anos ou décadas
até que sua real essência seja descoberta,
depois de muitos estragos silenciosos na empresa e na
carreira de várias estrelas humildes que acabam
ceifadas durante a sua infeliz permanência no
cargo.
Boa
parte delas nunca será descoberta, pois é
favorecida pela demanda econômica, pelos resultados
positivos que encobrem todo tipo de sacanagem e de incompetência,
pela exposição direta na mídia,
pela intimidação de subordinados e outras
atitudes condenáveis que lhe conferem o poder
de ser amadas e odiadas ao mesmo tempo.
Outra
parte das estrelas é conhecida dos acionistas
que, quase sempre, fazem vista grossa para o estilo
truculento, pois uma mão-de-ferro traz resultados
favoráveis num universo onde o lucro é
prioridade, portanto, os fins justificam os meios. Além
do mais, a procura é bem maior do que a oferta
de empregos e sempre haverá estrelas novas dispostas
a pagar o alto preço do brilho no mercado.
Infelizmente,
não há como fugir dessas superestrelas
que assombram o universo corporativo ainda que você
mude de vida, de emprego ou de cidade. Elas estão
sempre cruzando o seu caminho e quando você menos
espera aparecem para testar sua paciência, sua
habilidade em lidar com o desconhecido e, principalmente,
sua predisposição para engolir sapos.
Como
eu já escrevi em outro artigo, esse tipo de comportamento
está presente nas mais diferentes camadas da
sociedade moderna, portanto, não seria diferente
nas empresas. O mais preocupante, em pleno século
XXI, é que essas estrelas ainda conseguem amealhar
bajuladores, pois raramente brilham sem eles.
Conhece
aquele sujeito especialista em tirar o sono dos colaboradores
através de pedidos impraticáveis, ordens
e contra-ordens abomináveis apenas para ressaltar
quem é que manda e ainda esconder a sua inabilidade
em lidar com a essência a liderança? Um
dia a clava do destino desce sobre sua cabeça
e, segundo Napoleon Hill, autor de A Lei do Triunfo,
a clava não é feita de algodão.
Apesar
de a convivência com elas ser praticamente inevitável,
o lado bom de tudo isso é que se pode aprender
muito enquanto elas brilham e mais ainda quando o brilho
se apaga. Nenhuma delas resiste à clava do destino.
Entretanto, nem sempre a clava consegue remover a empáfia
que brota novamente na constelação mais
próxima onde elas são acolhidas. Elas
perdem o brilho, temporariamente, mas não perdem
a pose.
Eu
tive a oportunidade de conhecer inúmeras estrelas
de falso brilho ao longo da minha vida profissional
e, sem demagogia, posso dizer que aprendi muito com
essas verdadeiras pop stars corporativas, principalmente
o que não fazer em condição semelhante.
No mínimo a gente tem boas histórias para
contar durante as aulas e palestras à luz da
experiência vivida na carne.
A
vingança é um objetivo dispensável,
porém não dá para esconder a leve
satisfação de saber que algumas dessas
superestrelas perderam o glamour ao longo do caminho
e hoje vivem normalmente sem o brilho do passado. Acredito
que algumas até se tornaram mais humildes em
virtude dos revezes que a vida lhe proporcionou, pois
o tempo e o próprio universo se encarregaram
de colocá-las no seu devido lugar.
Todos
os dias, em todos os lugares, em todas as empresas,
milhares de estrelas brilham e outros milhares se apagam
no disputado universo corporativo. Uma parte porque
ascende rápido demais, sem experiência,
sem humildade, sem formação compatível,
sem o mínimo traquejo para lidar com pessoas.
Outra parte é vítima desse complicado
processo de alcançar o brilho e de sustentar
o brilho por esforço próprio e merecimento,
algo que se constitui um perigo para quem brilha por
meios ilícitos, desonestos e outros indignos
do seu merecimento.
Infelizmente,
você não pode mudar esse processo, pois,
em geral, é vitima dele. Portanto, tomei a liberdade
de compartilhar algumas lições que podem
ajudá-lo a compreender melhor esse ambiente para
que você sofra menos e saiba como se posicionar
em situações semelhantes. Espero que sejam
úteis e pare de se lamentar com relação
a isso, pois, como dizia Emerson, grande pensador americano,
“o descontentamento é a falta de confiança
em si mesmo”. Pense nisso e seja feliz.
1. Nada é para sempre, exceto o caráter
e a fé em si mesmo, portanto, paciência,
equilíbrio, discernimento e postura profissional
são fundamentais para enfrentar qualquer situação;
2.
Ninguém pode feri-lo sem o seu consentimento,
principalmente quando você tem o hábito
de fazer mais do que o necessário e de contribuir
com o melhor de si;
3.
Como diz o ditado, a melhor maneira de ganhar uma discussão
é evitá-la, portanto, desarme o seu espírito
diante dos fatos; o humor das estrelas varia de acordo
com o próprio brilho e, obviamente, elas não
brilham o tempo todo;
4.
Faça o seu próprio caminho e nunca dependa
de outras estrelas para brilhar; é fato que algumas
serão importantes na sua vida, mas é fato
também que o brilho é muito mais digno
quando advém do seu próprio esforço;
5.
Quando você estiver no topo e se tornar a estrela
principal, lembre-se de que o brilho é aparente,
mas a sua condição interior - caráter
e humildade - é o que o tornará uma estrela
duradoura.
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