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UMA
COISA DE CADA VEZ
Jerônimo
Mendes
Administrador, Escritor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark)
e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento
Local
Durante
muito tempo eu trabalhei com um colega que mantinha
uma técnica interessante para selecionar projetos
e se livrar dos problemas relacionados à sua
área. Como se tratava do todo-poderoso da área
comercial e tudo tinha que passar pelo seu crivo, ele
formava sempre três pilhas de documentos devidamente
organizadas sobre a mesa de trabalho.
A
pilha do lado esquerdo dizia respeito aos documentos
ou projetos recebidos durante a semana, ou seja, os
casos urgentes. A pilha do meio referia-se aos projetos
que foram urgentes um dia, agora nem tanto, já
que há mais de uma semana ninguém cobrava
nada. Por fim, a pilha do lado direito, com o dobro
de documentos contidos na pilha do meio, esquecidos
ali há mais de um mês, sinal de que o nível
de urgência havia sido rebaixado para irrelevante.
Como ele sempre dizia, “se alguém reclamar,
os projetos estão por aqui, caso contrário,
não devem ser muito importantes”.
Particularmente,
eu ficava indignado com tal atitude e considerava aquilo
um absurdo, mas o fato é que eu saí da
empresa há alguns anos e o indivíduo continua
por lá utilizando a mesma técnica, com
um pouco mais de velocidade, em razão da globalização
e da competitividade, segundo me dizem os remanescentes
da época, mas o fato é que ele resistiu
bem mais do que eu. Provavelmente, a técnica
funciona de alguma maneira, caso contrário, ele
já teria sido descoberto. E ele ainda tinha uma
grande vantagem sobre mim, conseguia assimilar todas
as imposições da matriz sem o menor questionamento.
Durante
anos eu lutei, e agora reluto para evitar uma recaída,
contra um hábito extremamente nocivo para o desenvolvimento
profissional e pessoal do ser humano, a procrastinação.
Em poucas palavras, procrastinação é
o hábito de se deixar para depois ou para o dia
seguinte ou para algum dia, quando sobrar tempo, o que
pode ser realizado imediatamente ou em prazo definido,
se houver boa vontade e predisposição
para o planejamento.
Tudo
o que acontece na sua vida está diretamente relacionado
com os seguintes pontos: a sua capacidade de atrair
coisas boas ou coisas ruins, dependendo do seu estado
de espírito; a sua capacidade de realizar a contento
aquilo que lhe é atribuído em troca de
um benefício ou de uma remuneração;
a sua criatividade e a sua capacidade para enfrentar
as adversidades que surgem com freqüência
no seu caminho todas as vezes que você encontra-se
devidamente bem instalado na sua zona de conforto pessoal
e profissional.
Imaginemos
que você contemple todas as competências
mencionadas anteriormente e, ainda assim, sua vida exiba
um verdadeiro cabedal de dificuldades, tais como: acúmulo
de dívidas no cartão de crédito,
limite inteiramente tomado no cheque especial, pressão
familiar para redução da carga horária
de trabalho, queda no volume de vendas e, por conseqüência,
não atingimento das metas, e o que é pior,
seu chefe vive perguntando quanto tempo falta para você
se aposentar apesar de você ter entrado na empresa
há pouco tempo.
Embora
a maioria dos profissionais não acredite tanto
na sua formidável capacidade de realização,
por razões de ordem familiar, histórica
e cultural, o seu potencial de criatividade para solução
de problemas é inesgotável. Sua dificuldade
maior está na falta de disciplina, de organização,
de planejamento e, em boa parte dos casos, na sua baixa
auto-estima proporcionada por expectativas muito elevadas
em relação ao trabalho e à própria
vida pessoal.
Alimentar
expectativas elevadas não é o problema.
A questão é o que fazer e como se preparar
para atingir essas expectativas sem parecer prepotente,
ganancioso nem ambicioso demais. A pressão exercida
pela sociedade sobre o ser humano é digna de
reflexão, mas o que você gostaria mesmo
é viver de maneira simples, no campo ou na beira
do mar, desfrutando das maravilhas da natureza, mas
enquanto isso não é possível a
vida vai lhe castigando em todos os sentidos.
De
fato, a sociedade recomenda que sejamos fortes, apresentáveis,
sorridentes, bem-relacionados e, acima de tudo, bem-sucedidos.
Isso nos impõe uma sobrecarga violenta de trabalho,
além da emocional, praticamente incompatível
com a nossa capacidade de resposta. Resultado: frustração,
estresse, pressão alta, cara feia todas as manhãs,
dívidas, doenças de todos os tipos, pedidos
e mais pedidos de licença, demissão ou
afastamento.
A
tentação de parecermos o que não
somos sempre nos persegue e, no fundo, acabamos dando
um jeito para tudo, porém o custo é elevado.
Por conta da nossa eterna necessidade de querer ser
e de ter sempre mais do que o necessário, sacrificamos
a saúde, o relacionamento conjugal, o crescimento
dos filhos, enfim, o convívio familiar, e não
vivemos a vida plenamente.
Tenho
pensado muito a respeito de tudo isso, todos os dias,
antes de dormir e depois de acordar. Por que vivemos
dessa forma? O que precisamos para ter qualidade de
vida? Por que assumimos tantos compromissos que não
temos condições de cumprir? Quanto vale
tomar um bom café da manhã ao lado da
família ou fazer aquela viagem que há
anos estamos adiando por conta da pressão que
a sociedade nos impõe? Embora a sociedade imponha
uma série de restrições e de obrigações,
cabe a nós a decisão de aceitar aquilo
que não condiz com a nossa maneira de ser, pensar
e agir.
Assim
sendo, quero compartilhar minha experiência com
vocês, pois aprendi, a duras penas, que a melhor
forma de equilibrar a vida pessoal e a vida profissional
é estabelecer prioridades de acordo com a importância
das nossas metas. Tentar abraçar o mundo com
as pernas é um defeito, por vezes irremediável,
que não levará você a lugar algum,
portanto, as questões a seguir são fundamentais
para ajudá-lo a recuperar o foco e manter acesa
a esperança de uma existência mais digna
e equilibrada.
1. Uma coisa de cada vez: não existe frustração
maior do que várias coisas iniciadas e nenhuma
encerrada com sucesso;
2. Crie metas mensuráveis: o segredo é
fracionar a meta principal em pequenas metas seguidas
de ações concretas e prazos específicos
para conquistá-las;
3. Estabeleça prioridades: acredite no todo,
mas dedique-se ao mais importante de acordo com cada
momento da sua existência;
4. Você é totalmente responsável
por sua vida: você não pode mudar as circunstâncias
nem os acontecimentos ao seu redor, mas pode mudar a
si mesmo.
De
acordo com Mark Twain, escritor e conferencista norte-americano,
o segredo de ir em frente está em começar
e o segredo de começar está em repartir
as tarefas complexas e esmagadoras em tarefas pequenas
e administráveis e, então, começar
pela primeira. Pense nisso e seja feliz!
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