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GERAÇÃO
DIPLOMA
Jerônimo
Mendes
Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark)
e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento
Local pela UNIFAE
De
acordo com o escritor e historiador português
João Pedro Ribeiro que viveu no Século
XIX, doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra,
a palavra “diploma” é originária
do grego e significava o conjunto de duas tabuinhas
ou, em tempo futuro, de duas placas de bronze ligadas
entre si, sobre as quais os romanos transcreviam o texto
das constituições imperiais toda vez que
se atribuía o direito de cidadania a um militar
que se distinguia por seus feitos honrosos.
Na
Grécia Antiga, a palavra diploma significava
basicamente um pedaço de papel (papiro ou pergaminho),
dobrado em duas partes. O diploma era utilizado como
salvo-conduto para os funcionários públicos
se locomoverem de um local para outro, uma espécie
de passaporte nos dias de hoje. Gaius Suetónius
Tranquillus, historiador latino do Século I,
classificava como diploma “todos os atos imperiais
divulgados em forma de documento dobrado em duas partes”.
A
partir da queda do Império Romano até
o período da idade Média, também
conhecida como Idade das Trevas, o termo diploma caiu
em desuso. Com o fim da Idade Média, os humanistas,
sobretudo os historiadores, ressuscitaram o vocábulo,
praticamente ignorado durante esse período, levando-se
em conta, por imposição da Igreja Católica,
que somente os Padres, Bispos, Papas e religiosos nomeados
por eles tinham livre acesso ao conhecimento.
Durante
o Renascimento as universidades passaram a utilizar
o termo como certificado de conhecimento, conferido
por uma instituição de respeito em virtude
dos ensinamentos adquiridos por alguém e com
o devido reconhecimento de quem lhe conferiu o saber.
Do Renascimento em diante, a palavra diploma passou
a designar, num sentido genérico, todo o ato
escrito que assenta num for¬mulário e que
deriva de uma chancelaria, eclesiástica ou civil,
ou aquele que foi lavrado por determinação
ou intervenção de uma instituição
qualificada.
Até
a metade do século passado, o diploma era símbolo
de status e de reconhecimento conferido para poucos
privilegiados. Em 1890, o Brasil contava com apenas
2.300 estudantes matriculados em escolas de nível
superior. Antes disso, as instituições
de ensino superior eram de origem católica ou
criadas pelas elites locais, em geral apoiadas por governos
estaduais ou instituições privadas com
prioridade na disseminação de conhecimento
para os próprios “filhinhos de papais”,
de políticos e outros apadrinhados.
A
partir da Constituição Federal de 1891
– que descentralizou o ensino superior, delegou-o
para os governos Estaduais e permitiu a criação
de instituições privadas - o ensino recebeu
uma nova conotação e cresceu de forma
vertiginosa. Em 1915, o número de alunos matriculados
somava mais de 10 mil. Em 1930, quase 20 mil. Em menos
de 20 anos foram criadas 27 novas instituições
de ensino superior no país. E saiba que a gratuidade
no ensino público superior foi instituída
somente a partir de 1950.
De
acordo com o relatório Mapa do Ensino Superior
Privado, de autoria da Professora Doutora Gladys Beatriz
Barreyro, divulgado pelo INEP – Instituto Nacional
de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em
2004 o Brasil contava com mais de 4 milhões de
alunos matriculados em mais de 2000 instituições
de ensino superior, públicas e privadas, tais
como: universidades, centros universitários,
faculdades, faculdades integradas, institutos e centros
de educação tecnológica.
A
rede de ensino superior no Brasil oferece anualmente
em torno de 2.500.000 vagas, de norte a sul do país,
distribuídas por mais de 18.600 mil cursos de
graduação presenciais, para todos os gostos,
rendas e classes, sem contar ainda os cursos de ensino
à distância reconhecidos pelo Governo Federal.
Trata-se de uma verdadeira indústria do diploma,
um símbolo de prestígio muito perseguido
nas duas últimas décadas do século
passado.
Algumas
palavras do meu pai permanecem vivas ainda hoje na minha
mente. Eu devia ter uns dez ou doze anos de idade e
não cansava de ouvi-lo repetir: - estude, meu
filho, estude, para conseguir um diploma, arranjar um
bom emprego e gozar de todos os benefícios para
o resto da sua vida. E assim ocorreu durante vinte e
quatro anos, desde o primeiro ano do ensino fundamental
até a conclusão do mestrado.
Naquela
época o segundo grau era mais do que suficiente.
Nos dias de hoje, até mesmo um diploma de doutor
não garante a sobrevivência. Ao contrário,
quanto maior o título, menor a possibilidade
de conquistar uma vaga no mercado de trabalho que busca
a simplicidade para enxugar custos e garantir a competitividade
no mundo globalizado.
Quando
eu concluí o segundo grau, me disseram que era
necessário curso superior. Depois de apresentar
o diploma da faculdade fui aconselhado a buscar uma
especialização. Paralelamente, me exigiram
inglês, espanhol e outros cursos de desenvolvimento
pessoal e profissional. Agora me dizem que o mandarim
está na moda e vale a pena arriscar umas palavras
em chinês por conta da globalização
e do crescimento econômico da China.
Até
há pouco tempo eu imaginava que isso não
tinha limites. Depois de tudo isso, a tendência
é voltar ao passado, pois não há
espaço nem reconhecimento para tantos graduados,
especialistas, mestres, doutores e pós-doutores
no mercado de trabalho. Um diploma de técnico
é mais do que aconselhável no momento
em que o “espetáculo do crescimento econômico”
tende a fazer alegria dos bancos, das indústrias
e do comércio em geral.
O
Brasil transborda de filhos da Geração
Diploma, a geração estimulada a correr
atrás de um canudo a partir da década
de 1980 pelo fato de as grandes empresas, principalmente
multinacionais, restringirem o acesso de profissionais
sem curso superior aos cargos de liderança. Por
conta da falta de diploma, milhares de profissionais
perderam o emprego e milhares de diplomados foram contratados
pela metade do salário, ainda que a qualidade
do ensino seja questionável, mas o fato é
que diploma traduz esforço e, supostamente, competência.
A
questão mais intrigante vem depois da conquista
do diploma: e agora, o que é que eu faço
com isso? Outras questões serão o martelo
da sua consciência onde quer que você vá,
em cada projeto que você participa, em cada entrevista
de emprego, em cada momento em que você é
submetido a um teste de integridade, quando se vê
obrigado a provar ao mundo que o seu diploma tem valor
e o esforço de tantos anos não foi em
vão.
Conquistar
um diploma é o sonho de consumo da juventude
globalizada e, obviamente, um objetivo importante a
ser perseguido. Entretanto, mais importante que a obtenção
de um diploma é escolher a profissão que
reflete a sua verdadeira vocação. Assim,
quando o canudo vier, você poderá rir do
sofrimento acumulado durante quatro a seis anos de estudo,
além de vislumbrar um futuro promissor dentro
da profissão que escolheu e aprendeu a amar por
conta de um diploma que lhe conferiu, além do
título, sentido de realização.
Um
simples diploma não garante o sucesso de ninguém,
mas a dedicação existente por trás
de um diploma faz muita diferença. É a
dedicação, e não o título,
que vai atestar a sua capacidade de realização
no mundo. Pense nisso e seja feliz!
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