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QUAL É A
SUA MISSÃO?
Jerônimo
Mendes
Administrador, Escritor e Palestrante
Autor
de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas
Muletas (Vozes)
É impossível acreditar que o ser humano
seja fruto do acaso ou que alguns nasceram para sofrer
e outros para ser felizes. Esse pensamento é
típico da Idade Média, mais ou menos até
o século XIV, quando algumas seitas rebeldes
e contrárias à posição da
Igreja Católica, começaram a quebrar a
premissa bíblica do castigo associado ao trabalho
e, embora entendessem o trabalho como uma tarefa “penosa
e humilhante”, o mesmo devia ser procurado como
penitência para o “orgulho da carne”.
Durante
o período do Renascimento, quando o homem deixou
de ser um animal teórico para se tornar um sujeito
ativo, constituinte e criador do mundo, as razões
para trabalhar passaram a estar no próprio trabalho
e não fora dele, por gosto pessoal e afinidade.
Dessa forma, o trabalho já não recaía
somente sobre os escravos e, portanto, era uma questão
de opção ou aceitação, ou
até mesmo de predestinação, também
para os homens livres.
Matinho
Lutero, líder da Reforma Protestante, foi quem
desassociou esse conceito equivocado do trabalho ligado
ao castigo, à tortura e à predestinação
do ser humano. Ele entendeu o trabalho como a base e
a chave da vida, portanto, a profissão passou
a resultar de uma vocação, sendo o trabalho
o caminho religioso para a salvação. Assim,
o trabalho passou a ser entendido como uma virtude.
Aliás, segundo Max Weber, foi Lutero quem desenvolveu
o conceito de vocação - no sentido de
uma tarefa de vida, de um campo definido a trabalhar
- ao longo da primeira década de sua atividade
como reformador.
E
o que tudo isso tem a ver com você? Há
um bocado de gente que se diz feliz fazendo coisas muito
distantes da sua real natureza. Pessoas que sorriem
durante o dia e choram durante a noite ao lembrar que,
no dia seguinte, devem voltar a fazer algo detestável
e sem sentido, pessoas cuja segunda-feira é um
martírio e sexta-feira é pura alegria.
Durante
minhas palestras costumo brincar que se alguém
levanta na segunda-feira pela manhã, indignado
e já pensando na sexta, possivelmente está
no lugar errado. Alguns me olham desconfiados, outros
indignados, porém a maioria começa a refletir
sobre a sua real situação e volta para
casa cabisbaixa, pensativa e disposta a mudar essa realidade.
O problema é que no dia seguinte você estará
no mesmo lugar, convivendo com as mesmas caras, o mesmo
chefe e os mesmos objetivos, a menos que você
comece a reavaliar profundamente suas habilidades, características
e virtudes que o levarão a produzir mudanças
significativas no modo de pensar e agir. E isso poderá
ocorrer no mesmo local onde você se encontra,
sem necessariamente ter que mudar de emprego ou de profissão.
Gosto
muito do Emerson, pensador americano e profundo conhecedor
da alma humana, quando diz: “Todo homem tem sua
própria vocação. O talento é
a vocação. Há uma direção
em que todo o espaço está aberto para
ele. Ele tem faculdades que silenciosamente o atraem
naquela direção em um esforço sem
fim. Ele é como um navio em um rio; obstáculos
vêm em sua direção de todos os lados,
exceto um; daquele lado todos os obstáculos são
retirados e ele desliza serenamente sobre um canal que
se aprofunda, até um mar sem limites.”
Talvez
você esteja se perguntando, todos os dias, quando
chega ao local de trabalho ou depois de uma discussão
acalorada com o chefe: o que eu estou fazendo aqui?
Se isto for verdade, comece a traçar um plano
definitivo para sair do marasmo e dar uma guinada importante
na vida, aquela que vai lhe proporcionar uma existência
digna, rica e em consonância com os seus valores
e virtudes.
Qual
é o meu lugar no mundo? Faço essa pergunta
todos os dias, quando levanto e quando me deito, para
não perder de vista a minha missão de
“semear conhecimento e gerar prosperidade para
o maior número de pessoas possível, por
meio de bons exemplos, disciplina, otimismo e consideração
pelo próximo.”
Se
você ainda não encontrou a verdadeira vocação,
não se desespere, continue perseguindo a felicidade
nas pequenas coisas e lute o tempo todo contra aquela
voz interior pessimista que tenta dizimar suas esperanças
de encontrar a profissão ideal e fazer do mundo
um ambiente melhor.
As
palavras de Robert Wong, autor de O Sucesso está
no Equilíbrio, são muito apropriadas nesse
sentido: todas as pessoas começam com um emprego,
depois adotam uma profissão, em seguida perseguem
uma carreira, com o tempo encontram a verdadeira vocação
e, por fim, assumem uma missão definitiva que
os levará a uma vida plena de realizações.
Encontrar a missão é uma seqüência
de perdas e ganhos, erros e acertos, um processo de
aprendizado constante.
Você
possui características singulares e virtudes
que outras pessoas nem imaginam, cada qual com seu talento
ou uma habilidade inconfundível. E, além
do mais, existe um mundo aberto a qualquer iniciativa
que agregue valor à vida das pessoas, não
importa se você é médico, professor,
advogado, enfermeiro ou gari. O importante é
que você acrescente amor, paixão e determinação
em todas as suas ações.
Como
lembra Joseph Campbell, autor de O Poder do Mito: “A
vida é uma grande escada corporativa. Depressão
é quando você chega ao final e descobre
que ela está encostada na parede errada.”
Depois de 70 ou 80 anos mal vividos, sobra pouco tempo
para o arrependimento e não é fácil
dar a volta por cima. O que você vai fazer com
essa idade, ao olhar para trás e pensar que a
vida poderia ter sido diferente? Suicidar-se? Portanto,
sempre é tempo de retomar o caminho e cultivar
exemplos que deixarão seus filhos orgulhosos
e comprometidos com o bem-estar da da humanidade. O
que você vai ser quando crescer? Como você
gostaria de ser lembrado daqui a 30 ou 40 anos?
Seja
íntegro, disciplinado, cultive o dom do relacionamento
saudável, comprometa-se a crescer e aprender
todos os dias da sua vida e, mais importante ainda,
não perca de vista seus objetivos. Pense nisso
e seja feliz!
Jerônimo
Mendes
Curitiba – PR
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