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COMO SER FELIZ
NO MUNDO CORPORATIVO
Jerônimo Mendes
Administrador, Consultor e Palestrante
Autor do Livro Oh, Mundo Cãoporativo! Lições
e Reflexões
Nas minhas andanças pelas empresas tenho constatado
um número cada vez maior de profissionais carentes,
apreensivos, cheios de dúvidas e infelizes, apesar
de estarem bem colocados no mercado de trabalho e receberem
bons salários se comparados à realidade
geral do país. Depois de uma palestra ou mesmo
durante o desenvolvimento de um projeto de consultoria,
profissionais de todas as idades vão se aproximando
aos poucos e num gesto de desabafo entregam suas vidas
e problemas na esperança de encontrar um novo
alento ou uma luz no fim do túnel para suas trajetórias
equivocadas no mundo corporativo.
Fazer o que se gosta é muito diferente de gostar
do que se faz. Se fosse possível optar, creio
que mais de 90% das pessoas mudaria de ocupação
a fim de se encontrar na vida profissional, porém
as estatísticas comprovam e a experiência
nos ensina que a diferença entre o sonho e a
realidade é um abismo. Fazer o que se gosta é
praticamente um projeto de vida, algo que se deve perseguir
incansavelmente com muita energia e disposição,
foco e persistência, clareza de idéias
e de pensamentos, independentemente do resultado financeiro.
Isso deve ser uma conseqüência natural quando
se encontra a verdadeira vocação.
O fato de muitos indivíduos não se encontrarem
na profissão ou não fazerem aquilo que
gostam nos leva a outra reflexão. Isso não
lhes dá o direito de fazerem mal algo para o
qual foram contratados, portanto, muito mais do que
energia e disposição, é necessário
ter consciência de que no mundo competitivo atual
não há mais espaço para pessoas
carrancudas, negativas ou pessimistas, cuja maior alegria
no ambiente de trabalho é maldizer a empresa
de onde se tira o próprio sustento, um verdadeiro
paradoxo e um péssimo exemplo. Quando isso ocorre,
há de se lembrar que sempre existe alguém
disposto a trabalhar o dobro pela metade do preço.
Diante desse dilema comum, fruto da própria experiência
profissional e da convivência com ambos os lados
da moeda, preparei algumas lições que
procuro chamar de “As 12 Lições
de Sobrevivência no Mundo Corporativo” com
intuito de provocar uma reflexão mais elaborada
do ser humano e do profissional com respeito à
sua carreira e aos seus objetivos. Segui-las ou não
é um critério muito particular, portanto,
penso que nada daquilo que lemos, ouvimos ou assistimos
tem o mínimo efeito sobre o nosso comportamento
se não existir uma vontade interior incontrolável
de mudar para melhor. Com diria Tom Peters, ninguém
motiva ninguém, nem mesmo um líder. Aqui
vão elas:
1)
A maneira mais fácil de conseguir aumento de
salário é fazer algo diferente e produtivo.
Pedir aumento pode até resolver, mas uma negativa
pode se tornar uma verdadeira frustração,
principalmente pelo fato de termos em mente de que sempre
valemos mais do que ganhamos. Lembre-se de Ford: “Se
dinheiro for a sua única esperança de
vida você jamais a terá. A única
esperança consiste numa reserva de sabedoria,
de experiência e de competência”.
A segunda maneira é mudar de emprego, atitude
mais sensata do que passar a vida se lamentando.
2) O mundo é dos otimistas. Os pessimistas morrerão
falando mal de tudo e de todos. Não há
mais espaço nas organizações para
pessoas carrancudas, bicudas, negativas, cujo passatempo
predileto é dar socos na mesa, falar mal do chefe,
do colega recém promovido, da falta de benefícios
ou ainda viver em estado de queixa permanente, portanto,
sorria mesmo tendo que conviver diariamente com pessoas
que você não gosta. Faz parte da evolução.
3)
O ser humano é naturalmente indissociável,
portanto, as emoções da relação
pessoal e da profissional estão intimamente ligadas.
Procure equilibrar os dois lados. Ninguém sai
de casa feliz deixando um filho doente com 40 graus
de febre nas mãos da empregada assim como ninguém
sai do trabalho feliz depois de levar uma “babada”.
Em casa pensamos permanentemente nos problemas do trabalho
e vice-versa. Fé, equilíbrio e paz de
espírito são imprescindíveis.
4)
No mundo corporativo, manda quem pode, obedece quem
precisa, muda quem tem juízo. Isso não
significa que você deve mandar tudo para o espaço
no dia seguinte, mas, parafraseando Albert Camus, não
existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não
é aceito livremente. A relação
de submissão existe e tende a ser mais dolorosa
de acordo com o grau de aceitação que
conferimos a ela. Conclusão: não trabalhe
para empresas cujo dono é espiritualmente fraco.
Seja mais forte do que ele e procure uma empresa compatível
com o seu modo de viver e agir.
5)
Se você sai de casa para o trabalho na segunda-feira
indignado e já pensando na sexta-feira, possivelmente
está no lugar errado. Lembre-se: fazer o que
se gosta é diferente de gostar do que se faz.
Eis uma excelente razão para você perseguir
a primeira parte sem se descuidar da segunda, porém
não se iluda, encontrar o lugar certo e a profissão
certa é algo que demanda tempo e desprendimento.
6)
Faça o que for possível para realizar
o seu projeto de vida, mas seja ético. Fuja do
sentimento de vingança, da perseguição,
da inveja e da malícia que permeiam o mundo corporativo.
Para crescer profissionalmente não é necessário
puxar o tapete alheio nem viver grudado na cola do chefe
(?). Existem maneiras inquestionáveis de demonstração
da competência e do senso de contribuição.
Você pode perder o emprego, mas a competência
é algo que ninguém lhe tira.
7)
Mais importante do que a pressão exercida no
ambiente de trabalho, acredite, existe vida fora dele.
Lembre-se que a família te espera em casa, são
e salvo, de braços abertos, a menos que você
seja um perfeito alienado e tenha casado com o trabalho.
Nesse caso é uma questão de opção.
Evite o perfil do tipo “my name is job”.
Seu sobrenome tem mais valor do que aquele que está
no seu crachá.
8)
Nenhuma empresa tolera colaboradores desleais, portanto,
honre seus superiores, subordinados, colegas e, principalmente,
seus clientes. Tudo na vida é resultado e a vida
também é feita de princípios. O
fato de você conviver com pessoas de cores, credos
e sexos diferentes exige muito mais perspicácia
do que se imagina. Não se tolera mais apelidos
constrangedores ou pejorativos do tipo “negão”,
“japinha”, “careca” ou qualquer
outra referência que soe desrespeito e discriminação.
Respeito é o mínimo que se espera num
ambiente onde a convivência não é
tão simples quanto deveria.
9)
Não tenha receio de trabalhar com subordinados
melhores do que você. No passado os “chefes”
temiam os profissionais com maior grau de conhecimento
com medo de que esses lhes puxassem o tapete ou lhe
fizessem sombra. Isso não acabou por inteiro,
é fato, mas o verdadeiro líder é
aquele que procura montar equipes com profissionais
melhores do que ele tecnicamente, o que, em momento
algum, há de lhe tirar o mérito. Ao contrário,
torna-se uma grande oportunidade para mostrar suas verdadeiras
habilidades como líder extraindo o que há
de melhor do grupo. O verdadeiro líder confia
nas pessoas, independentemente dos riscos, estimula
os colaboradores ao crescimento profissional e sabe
respeitar as diferenças.
10)
Reconhecimento nem sempre vem com o trabalho duro, mas
com o tempo. Passar a vida esperando esse bendito reconhecimento
é uma heresia imperdoável que acaba em
frustração, dor e tristeza. Reconhecimento
é algo relativo e ao mesmo tempo subjetivo. Quantos
“Ronaldinhos”, “Einsteins”,
“Pelés” e “Madres Teresa de
Calcutá” você conhece? Conta-se nos
dedos. Trabalhe duro sem depender do reconhecimento
alheio para não se frustrar. Reconheça
você mesmo o seu valor, acorde cedo, levante os
ombros, respire fundo e cresça. O resto é
conseqüência.
11)
Em momentos de crise, o importante é manter a
lucidez e o foco. Seja humilde, deixe o orgulho de lado,
não perca o contato com os amigos e não
tenha vergonha de pedir. Pedir não ofende. Quando
fui demitido pela primeira e única vez o mundo
desabou, mas o importante foi manter a calma. O discurso
de durão e a pose de orgulho não valem
nada numa hora dessas. Lembre-se de um velho ditado
dos nossos avós: é no andar da carruagem
que as abóboras se ajeitam. Naquela ocasião
eu me lembrei do Jack Welch, CEO da General Electric
nos Estados Unidos, que afirmou: “até um
pé no traseiro te empurra para frente”.
12)
Passar a vida correndo atrás de uma profissão
estável, tranqüila e segura é uma
utopia. Ela não existe, portanto, o melhor a
fazer é estar pronto para o mercado todos os
dias. Estar pronto para o mercado significa manter o
currículo atualizado, estabelecer um bom networking,
dominar definitivamente um segundo idioma e jamais esquecer
dos amigos, principalmente os de infância, adolescência
e de faculdade. São eles que poderão ajudá-los
nas horas mais difíceis, se os tiver em alta
conta e puder realmente chamá-los de amigos.
Desde
criança ouvimos dizer que o Brasil é o
país do futuro. Trinta anos depois ainda ouço
a mesma coisa, mas o futuro nunca chega e continua testando
nossa capacidade de reação através
dos acontecimentos mais adversos possíveis. Esperar
pelo futuro sem mudar de comportamento é alternar
passivamente entre dias bons e ruins acreditando que
no futuro tudo vai mudar.
Existem pessoas que vivem procurando alguém para
motivá-las como se a motivação
fosse algo transferível a qualquer tempo, mas
a carência humana não tem limites e a motivação
é praticamente um estado de espírito,
algo que vem de dentro, da alma. Para ser feliz no trabalho
é necessário rever conceitos, dentre eles
o próprio conceito de felicidade. Lembre-se novamente
das palavras de Albert Camus, grande pensador francês:
“não existe dignidade no trabalho quando
nosso trabalho não é aceito livremente”.
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