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CAPITALISMO GERENCIAL
Jerônimo
Mendes
Administrador, Escritor e Palestrante
Autor do livro Oh, Mundo Cãoporativo!
Há
de se perguntar diariamente porque razão as empresas
não conseguem entender o fato de que os empregados
odeiam ser tratados como números em vez de ser
tratados de acordo com suas necessidades específicas.
A verdade é que as empresas evoluíram
muito no campo tecnológico, mas pouco nas relações
humanas, ou melhor, as pessoas evoluíram, as
empresas não. O abismo entre os profissionais
e as empresas é enorme, gera conflitos, indiferenças
de ambos os lados e rompimento da relação.
Por uma questão de necessidade e sobrevivência
os profissionais voltaram para as escolas e mergulharam
em cursos de línguas, especialização,
MBA e mestrados entre outros, enquanto as empresas persistem
num modelo de negócios criado no início
do século passado para um mercado de massa.
Esse modelo está completamente falido, principalmente
para a inteligência, altamente fugidia das empresas
que pararam no tempo e tratam os empregados como números,
nada mais, ampliando o nível de frustração
e descontentamento.
Os empregados em geral estão infelizes. Pesquisas
recentes nos Estados Unidos apontaram que 97% dos adultos
clamam por maior flexibilidade no trabalho a fim de
conciliar os interesses profissionais e particulares
em busca de melhor qualidade de vida e satisfação
pessoal.
Na contramão da história, as empresas
pressionam cada vez mais o profissional e exigem dele
maior tempo de permanência no trabalho, exclusividade
e total abdicação da família em
prol da competitividade e maximização
do lucro.
Como entender o discurso da ética e da responsabilidade
social anunciada com freqüência pelas empresas
que mais demitem? Por essa razão muitos profissionais
dedicam-se ao trabalho voluntário, participam
dos problemas da comunidade e buscam fora da empresa
aquilo que gostariam de ver implantado dentro dela.
As grandes empresas são carentes de mentes inovadoras
e ousadas, inclinadas a quebrar paradigmas, correr riscos,
dispostas a oxigenar o falido capitalismo gerencial
que não favorece o esforço individual,
muito menos o reconhece.
No
início do século 20 os homens tinham um
outro modelo de vida. As mulheres ficavam em casa cuidando
dos filhos e da própria casa. Hoje as mulheres
participam ativamente do mercado de trabalho e não
conseguem mais dar aquele suporte valioso dentro de
casa, portanto, homens e mulheres estão presos
ao mesmo universo de problemas pessoais e profissionais.
No século 20 as empresas eram o centro dos negócios
e hoje o centro está voltado para o tipo de consumidor
que queremos atender, quanto ele está disposto
a pagar e como podemos ganhar dinheiro lidando com variáveis
extremamente delicadas.
Entender as reais necessidades do consumidor ainda é
o grande desafio para o capitalismo gerencial, centrado
em normas e procedimentos ultrapassados para os padrões
atuais de consumo e gestão.
A vida está se tornando cada vez mais complexa,
os profissionais estão cansados de lutar contra
os métodos convencionais e o tempo é curto,
portanto, aproximar o foco da empresa à próxima
escolha do consumidor é vital para o sucesso
nos negócios, ou seja, para a felicidade de ambos
os lados.
Precisamos freqüentemente de alguém que
nos conheça, que goste de nós e entenda
nossas necessidades. Não precisamos de empresas
que desconhecem nossos valores e ignoram nossas aflições.
Os empregados precisam dar significado ao trabalho,
inserir valores no ambiente corporativo, agora mais
do que nunca, num mundo repleto de incertezas, porém
as chances são pequenas.
Pense nas inúmeras dificuldades criadas pelo
mundo moderno que tornam as pessoas estressadas por
não entenderem o plano de saúde, o manual
do aparelho de DVD ou ainda as regras do consórcio
para a casa própria. Todas essas tarefas recaem
sobre o consumidor final e não há como
fugir delas.
Quando estamos trabalhando não dá para
pensar apenas como funcionário nem há
como distinguir o lado pessoal do profissional. Isso
é um discurso tolo, imaginar que voltamos e saímos
de casa ou da empresa completamente desligados um do
outro, afinal, somos feitos de carne e osso.
Esse é um dos motivos pelo qual o capitalismo
gerencial se confunde. Ora é tratado como empregado,
ora como consumidor, onde o conflito se arma, pois ninguém
aceita ser tratado da mesma forma que sua empresa trata
o cliente.
Embora o ambiente dos negócios não esteja
favorável para a maioria dos empregados, não
dá mais para aceitar ser tratado como simples
número no meio da multidão.
O mundo precisa de novos líderes, não
necessariamente na idade, dispostos a concentrar esforços
numa nova visão de mercado, empreendedores capazes
de se interessar pelos problemas alheios através
de soluções que facilitem a vida dos clientes,
pessoas como eu e você.
Por sua vez, os profissionais precisam conhecer a si
mesmos e conquistar espaço por suas vitórias
e pelo reconhecimento do seu próprio nome, independente
do cargo ou da empresa onde trabalham.
(26/06/2006)
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