Jerônimo Mendes
Administrador, Escritor, Palestrante e Professor Universitário
Autor do livro Oh, Mundo Cãoporativo! Lições
e Reflexões
As pessoas têm vergonha de falar
de amor, seja na vida profissional ou particular. Tenho
a leve impressão de que a palavra soa palavrão,
principalmente na boca da grande maioria machista que
ainda resiste na sociedade atual.
As mulheres são diferentes. Elas vivem, sonham,
pensam e praticam o amor o dia inteiro, não importa
a forma, embora cultivem uma relação de
amor e ódio quando se trata de olhar a concorrente,
diferente da relação existente com os
filhos e o marido, quando há reciprocidade de
ambos.
Os homens não, eles resistem até o último
minuto, pois são movidos por um tipo de orgulho
imbecil, geneticamente construído há séculos,
sinônimo de resistência e ferocidade, técnicas
utilizadas no tempo das cavernas quando o instinto selvagem
lhes obrigava a defender a fêmea e as crias de
feras à procura de alimento.
Graças à sabedoria divina existem homens
do tipo manteiga derretida, capazes de quebrar as estatísticas
do mundo predominantemente masculino embora isso esteja
mudando, a duras penas, com a entrada da mulher no mercado
de trabalho e uma inversão de papéis cada
dia mais acentuada em diferentes áreas de atuação.
Homens de fibra, que se emocionam com o Hino Nacional
ao final de uma Copa do Mundo ou da Liga Mundial de
Vôlei, são cada vez mais numerosos. Há
também os que se comovem com a dura vida do cidadão
da favela, do retirante nordestino, do trabalhador infantil
arrancado do convívio familiar e das escolas,
do jovem brutalmente assassinado pelos “donos”
da favela, todos retratados friamente pela mídia
impiedosa, especializada em arrancar lágrimas
da platéia carente e emotiva.
Por outro lado, as mulheres estão se tornando
mais frias e implacáveis, menos sensíveis.
A conquista da liberdade feminina e a competição
no mercado de trabalho em igualdade de condições
com os homens impuseram a elas um custo elevado. Parecem
fortes, de pulso firme, se dizem donas do próprio
nariz, mas choram às escondidas.
Conciliar a natureza da mulher, o instinto materno e
a profissão não é tarefa fácil,
além de gerar elevados níveis de estresse
e instabilidade emocional. A sociedade ainda não
privilegiou a condição feminina no mercado
de trabalho, salvo em raríssimas exceções,
infelizmente.
A luta pela sobrevivência diária não
isenta a mulher do segundo turno, quando os filhos a
esperam ansiosos e famintos, prontos para dividir os
problemas que castigam a juventude moderna. Vencidos
o primeiro e o segundo turno, o parceiro a espera para
o terceiro, sob os lençóis.
O que isso tem a ver com o amor? Apesar do mundo viver
uma transformação permanente de idéias,
critérios e condições, há
uma luta sem tréguas pela sobrevivência
e a busca permanente da felicidade pura e simples, sem
que isso implique apenas no acúmulo de bens e
dinheiro.
Quando se pratica o bem desprovido de interesses financeiros
ou vantagens particulares, isso é amar. É
fazer as coisas com prazer, com sutileza e a mesma vontade
que a mãe dedica aos filhos nos momentos de alegria
e de dor. Mãe é sempre um bom exemplo,
pois não escolhe hora para amar. Ela ama por
inteiro, sem distinção, ama com o coração.
Amar, simplesmente amar! Amar os filhos, o próximo,
a esposa e também os companheiros de trabalho.
A coisa mais importante na vida do ser humano é
ter a felicidade e a sorte de amar alguém, mesmo
sem ser amado. Não existe diferença entre
vida pessoal e profissional, o que significa dizer:
o amor não tem fronteiras.
Quem diz que o amor não vale para a vida profissional
não sabe o que diz. Sempre existe alguém
digno de admiração no ambiente de trabalho
em perfeita sintonia com a nossa forma de pensar e agir.
Esses são aqueles que nos amam naturalmente e
não percebemos, mas há também aqueles
que nos tratam com indiferença e rispidez. São
os que mais precisam do nosso amor ou, no mínimo,
da nossa compaixão.
O mundo corporativo é uma grande bobagem. Discutimos
o tempo todo, somos a intemperança escondida
atrás do micro, disfarçada de gravatas,
torcemos pela infelicidade alheia, estamos sempre prontos
para o ataque ao menor sinal de perigo.
Temos vergonha de cumprimentar o colega promovido, o
desempregado recém-admitido. Hesitamos em consolar
o colega demitido. Em suma, temos vergonha de amar e
perdemos muitas oportunidades de praticar o bem.
Conheço inúmeros exemplos de como tudo
isso pode ser mudado. Somos diferentes dos robôs,
temos alma, coração, consciência
e líquidos preciosos que traduzem o amor dedicado
à vida e ao trabalho: suor, sangue e lágrimas.
Amar as pessoas da família é algo que
praticamos com certa naturalidade embora tenhamos vergonha
de dizê-lo mesmo dentro de casa. Um simples elogio,
um sorriso ou um gesto de carinho, isso é amor
quando praticado voluntariamente.
Penso que não somos obrigados a conviver com
pessoas que não acreditam nas mesmas coisas tampouco
engolir a companhia dos que acreditam que não
tem tempo a perder com essas tolices, mas podemos perdoá-los.
Devemos lutar por um ambiente corporativo saudável
difundindo o amor e o bom relacionamento em todos os
níveis mesmo correndo o risco de ser triturados
por aqueles que pensam diferente. Só o amor constrói
e somente o amor há de quebrar a frieza do mundo.