Informativo
da DGRH Diretoria Geral de Recursos Humanos da UNICAMP
Campinas,
08/09/2005
PESSOAS
É
bom lembrar que o período da escravidão
no Brasil terminou em 1888, período em que nada
era orientado para a satisfação pessoal.
Nos dias atuais é impossível pensar em
resultados positivos em uma empresa sem considerar as
pessoas envolvidas com a organização.
Alguém
consegue imaginar-se sorrindo naturalmente, com uma
tremenda dor de cabeça? Que tal imaginar-se plenamente
feliz sabendo da morte de um ente muito querido e próximo?
Da mesma forma, guardadas as devidas proporções,
é impossível alguém gerar resultados
positivos (ou sorrisos) para uma organização
estando em uma posição desconfortável,
sentindo-se ameaçado, humilhado, desprezado,
um trapo, cheio de dor.
Afinal
de contas, qual a vantagem em gerar resultados positivos
se tudo em volta é negativo? Por que ser amor,
se o que se vê e ouve, em volta, são estalos
de chicotes, gritos e palavrões horrorosos?
Se
esse ambiente pesado ainda é comum em algumas
organizações, então por que os
colaboradores não tomam alguma atitude? O
escritor Jerônimo Mendes responde: "Poucos
se arriscam a discutir as relações desumanas
no ambiente onde se ganha o pão de cada dia.
Fomos doutrinados desde a Revolução Industrial
para a submissão, por questão de sobrevivência.
O profissional sofre calado até o último
minuto, pois pensa na esposa, nos filhos, na mãe
doente. É difícil administrar a pressão
que vem do chefe, da família e da sociedade -
não fomos treinados para isso. É uma questão
de cultura."
Muitos
empresários (chicoteadores) acreditam que o grito
conduz ao respeito. Enganam-se profundamente, pois o
grito traz consigo a desarmonia do ambiente e o medo.
O medo, como os gritos, passa. O respeito adquirido
através de uma política de extremo respeito
às pessoas, permanece para sempre.
Podemos
fazer um comparativo muito simples: se um guarda nos
surpreende quando cometemos alguma infração
às leis de trânsito e nos dá uma
"bronca daquelas", ele simplesmente vai lavrar
a multa. Nós pagaremos e somente vamos nos lembrar
da falta de educação dele, desejando ardentemente
nunca mais encontrá-lo pelos nossos caminhos.
Ao
passo que, se o mesmo profissional, educadamente nos
mostra os riscos que estávamos correndo e o risco
em que colocávamos outras pessoas, agindo como
um "educador" e não como um "capataz",
nunca mais nos esqueceremos da atitude e da personalidade
daquele guarda, fazendo com que sempre nos lembremos
das suas palavras quando "ameaçarmos cometer
novamente a mesma infração". Muito
além de pagarmos a multa, pagaremos por uma boa
educação no trânsito.
Sendo
assim, o grito e o medo não levam ao respeito,
ao compromisso ou à vontade de realizar bons
trabalhos.
A
interação produtividade (com resultados
positivos) versus pessoas plenamente satisfeitas é
uma lógica. Contudo, ainda falta boa vontade
e capacidade de percepção a muitos empresários
(chicoteadores), para que possam mergulhar de corpo
e alma nessa nova missão: o respeito ao próximo.
Missão essa que passa também pelo lado
espiritual.
Entre
tantos versículos bíblicos sobre o assunto,
posso citar o livro do Eclesiastes, capítulo
33, versículo 32: "Tens um funcionário?
Trata-o como a ti mesmo, pois necessitas dele como de
ti mesmo."
Resumindo:
quer ter lucro? Respeite as pessoas, invista nas pessoas,
pois, dessa forma, os resultados fluirão de maneira
espetacular. Esse caminho não tem volta: as pessoas
são a tônica das organizações.
Tudo
que espero é que os empresários brasileiros
acordem e/ou estejam sempre alertas para essa realidade
de respeito às pessoas no ambiente de trabalho
e que tantos outros aposentem o "velho chicote"
para que seja somente uma lembrança de um tempo
que, queira Deus, jamais haverá de voltar.
Fonte:
http://www.dgrh.unicamp.br/noticia.shtml?idNoticia=642