A entrevista desse mês foi realizada com o Sr. Luiz Almeida Marins Filho, o Professor Marins empresário, professor, consultor e um dos palestrantes mais requisitados do país. Confira a seguir o bate-papo virtual com o autor dos livros Socorro! Preciso de motivação, Homo Habilis e Livre-se dos Corvos, entre outros.

Jeronimos - Embora o senhor seja um motivador por natureza, o que ainda o faz acreditar que o mundo tem jeito, a despeito de todas as dificuldades vividas pelo ser humano na face da Terra?

Professor Marins
– O mundo já passou por épocas muito mais difíceis do que a que estamos passando. Basta estudar a história para ver que, embora tenhamos uma visão muito negativa da realidade atual, não está tudo perdido. Há muita gente boa fazendo coisas maravilhosas. O que ocorre, é que hoje temos mais conhecimento (pela facilidade da informação) das coisas ruins que ocorrem.

Jeronimos - Depois de tanto tempo na estrada, correndo para cima e para baixo, falando para milhares de pessoas em diferentes cidades e países, o senhor acredita que existe algum país melhor do que o Brasil para se viver?

Professor Marins
– Sinceramente não acredito. Já morei no exterior, em alguns Países, e nada se compara ao Brasil quando se faz uma análise fria e geral. Há aspectos melhores em outros lugares, mas quando se junta tudo – povo, território, clima, etc. o Brasil se torna insuperável.

Jeronimos - Nas suas palestras o Brasil é sempre enaltecido por diversas razões, dentre elas a economia, através de dados apresentados sobre produção e o consumo de bens. Se o país está tão bem assim, a que fatos o senhor atribui essa evasão crescente de jovens e adultos em busca de melhores oportunidades no exterior? Seria uma ilusão?

Professor Marins
– Os dados que mostro são para que se veja também o outro lado (o lado cheio) do cálice. Nunca disse que tudo está “tão bem”. O que afirmo é que temos um grande mercado e um País com muitas oportunidades pouco exploradas pelos próprios brasileiros que preferem enxergar oportunidades fora do Brasil. Até que um dia voltam (quase todos), pois passam a enxergar as nossas vantagens comparativas.

Jeronimos – Como palestrante e consultor sinto o quanto é difícil construir um nome e conquistar o respeito da sociedade, apesar da ampla formação educacional. Qual a sua recomendação para um profissional se diferenciar na multidão?

Professor Marins
– Você não pode apressar o sucesso. Ele só virá com o tempo e com muito foco num trabalho ético, honesto, dedicado e comprometido. Tom Jobim dizia que “no Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. As pessoas ficam muito incomodadas com o sucesso alheio. Mas você deve acreditar na sua capacidade de vencer esses obstáculos e prosseguir.

Jeronimos – Até o final da década de 80 ouvíamos sempre os adultos dizerem que não viam a hora de se aposentar e hoje o segredo é não se aposentar. O senhor já pensou nessa hipótese?

Professor Marins
– Sou empresário. Um empresário não pode se aposentar. Tenho muitos planos para o futuro e espero que ele seja suficientemente longo para que eu possa realizá-los.

Jeronimos – Na sua opinião, por quê razão ainda existem profissionais que insistem na política da opressão para atingir resultados, apesar de toda a literatura existente no mundo dos negócios, conselhos de gurus, cursos de liderança etc.?

Professor Marins
– São pessoas pobres de espírito e muito inseguras. A sua segurança está em oprimir, ofender, pisar nas pessoas. Tenho muita pena dessas pessoas que ainda não compreenderam que o ser humano merece respeito e que ele se comprometerá muito mais se for respeitado.

Jeronimos – O senhor é famoso no Brasil e no mundo e já conquistou um lugar ao sol numa sociedade altamente seletiva. O senhor acredita que faz a diferença na vida das pessoas?

Professor Marins
– Sou professor. Vou morrer professor. Um professor tem como objetivo profissional ensinar as pessoas a aprender. O sonho de qualquer professor é justamente fazer alguma diferença na vida das pessoas, de seus alunos, da comunidade. Já pensei em muitas profissões, mas a cada dia mais vejo que o mais sou e quero ser é ser professor, nada mais. Por isso não me preocupo muito com bens materiais. A riqueza de um professor é aprender e ensinar a aprender.

Jeronimos – O fato de as pessoas participarem de palestras e ampliarem o nível de leitura não garante que suas vidas mudem. Qual a sua opinião sobre isso?

Professor Marins
– O que eu tento fazer é motivar as pessoas a mudar, a aprender, a encontrar os motivos para fazer melhor o que fazem e, portanto, serem melhores. Mas a motivação é uma porta que só se abre por dentro. Se as pessoas quiserem abri-la, o farão. Se não quiserem, ela permanecerá fechada.

Jeronimos – No papel de consultores e motivadores, sempre ouvimos dos clientes que é mais fácil falar do que fazer. Alguns líderes preferem arriscar o cargo a promover a mudança necessária para levantar a empresa. Por quê esse tipo de líder ainda resiste?

Professor Marins
– As pessoas sentem-se inseguras no mundo atual. Isso me parece normal. Ninguém se arrisca num ambiente em que o erro é punido.

Jeronimos – O senhor aceitaria a missão de reestruturar uma empresa sabendo das dificuldades a enfrentar, tais como redução de quadro, substituição de executivos incompatíveis, desconfiança do grupo e coisas do gênero?

Prof. Marins
– Já fiz isso várias vezes. A maioria das vezes com sucesso.

Jeronimos – Qual a sua recomendação para o indivíduo se manter motivado no mundo de hoje? Dá para ser feliz mesmo sem dinheiro?

Prof. Marins
– É preciso compreender a diferença filosófica entre necessidades e desejos. Quando você transforma todos os seus desejos em necessidades, com certeza será infeliz. Se você controlar seus desejos e satisfizer todas as suas reais necessidades estará num bom caminho para ser feliz.

Jeronimos – Dizem que quanto maior o sucesso e o dinheiro, menor a motivação e maior a acomodação. O senhor ainda carrega sonhos não realizados?

Prof. Marins
– Todos os dias acordo com novos sonhos que se juntam aos antigos e atuais que venho buscando concretizar. O dia em que eu não tiver sonhos a realizar é porque já não pertenço a este mundo.