| MINHA
IDÉIA SOBRE EMPREENDEDORISMO
Há muito mais pessoas que desistem do que pessoas
que fracassam.
Henry Ford
Amigo
Empreendedor,
Conheço
inúmeros candidatos a empreendedores ou mesmo
empreendedores bem sucedidos no mundo dos negócios,
mas a realidade é cruel. A maioria apostou todas
as fichas em negócios por conta própria
e perdeu o pouco que conseguiu amealhar durante uma
vida inteira de trabalho em questão de meses.
Empreendedorismo
é uma palavra bonita, não se pode negar,
mas aplicá-la no sentido literal requer muito
mais do que força de vontade e até mesmo
capital. No Brasil, a palavra ainda se assemelha mais
com trabalhar por conta própria do que com empreender
por vontade própria, inovar ou ser criativo,
fugir à regra, conceber algo diferente, olhar
uma demanda oculta no mercado com olhos de quem já
percebeu uma maneira diferente de oferecer um novo produto
ou serviço.
Quem
não sonha um dia ser dono do próprio nariz?
Quantos passam boa parte da vida arquitetando planos
mirabolantes que nunca saem do papel? Somos filhos da
Geração Diploma acostumada desde pequena
a direcionar esforços para a conquista de um
título em qualquer profissão. Nem nos
perguntaram se realmente queríamos fazer o curso
que nos indicaram, mas o importante era obter o diploma.
Gostar se aprende com o tempo, diziam os mais experientes.
Infelizmente
as escolas do século passado não se preocuparam
com duas premissas muito importantes no mundo do empreendedorismo:
lidar com dinheiro e lidar com gente, ou seja, saber
conviver com o excesso ou a falta de dinheiro e aprender
a se relacionar com as pessoas. Habilidades não
faltam a nenhum indivíduo na face da Terra, todos
são munidos de algum dom especial que pode ser
estimulado de alguma forma ou ficar adormecido sem nunca
ter sido descoberto.
O
mundo está recheado de exemplos de grandes empreendedores
que dedicaram a vida por uma causa nobre, a serviço
da humanidade. Esse é apenas um dos segredos
do empreendedor de verdade. Ser útil e criativo
significa contribuir para um mundo melhor, assim como
fizeram Edison, Einstein, Graham Bell e milhares de
outros empreendedores pelo mundo afora.
Empreender
significa criar valor, inovar, conceber algo inesquecível,
útil, digno de louvor e apreciação,
o que, em geral, é retribuído pela natureza
com valor monetário e reconhecimento. O empreendedorismo
não pode ser visto apenas como uma ciência
que transforma bens e serviços em dinheiro, mas
deve, principalmente, ser avaliado pelo sentido de realização
que provoca nas pessoas que arriscam tudo em busca de
uma vida melhor para si e para o mundo ao seu redor.
Imagine-se
capaz de criar soluções, ter idéias
próprias, empregar apenas duas ou então
milhares de pessoas, não importa, dar sentido
à vida por alguma razão específica,
deixar um legado, uma história de fracassos seguida
de sucessos. Isso é empreendedorismo na prática,
o verdadeiro sentido da realização.
O
que moveu Henry Ford, Thomas Edison ou o Barão
de Mauá não foi o dinheiro propriamente
dito, mas o espírito de contribuição.
Dinheiro é apenas uma conseqüência
e pode ser utilizado para o bem ou para o mal quando
o empreendedor não conhece o seu verdadeiro sentido
de sua existência.
O
Brasil é uma terra de oportunidades. Fico entristecido
quando as pessoas vêm argumentar comigo que o
país não tem jeito e por essa razão
estão indo embora para outros países em
busca de uma vida melhor. Isso é lamentável.
Somos imediatistas, falta-nos a paciência do japonês
que sabe a hora de plantar, regar e colher, tudo a seu
tempo. Enquanto milhares deixam o Brasil, outros milhares
procuram o país pelos mesmos motivos. Eis um
paradoxo incontestável. O que muda é a
percepção com relação ao
ambiente.
Empreender
é algo que transcende a lógica do mercado.
Quem não conhece algum empreendedor que, contrariando
todos os prognósticos, se deu bem na vida por
ter reunido qualidades não ensinadas nas escolas?
Persistência, foco e relacionamento interpessoal
são características imprescindíveis
para quem quer vencer como patrão e isso somente
o tempo é capaz de ensinar. O que não
se deve fazer é lamentar durante uma vida toda
sem ter coragem de tentar algo novo. É por essas
e outras razões que “a maioria das pessoas
prefere a escravidão na segurança ao risco
na independência”, segundo Emmanuel Mouniere.
Jerônimo
Mendes
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