| O
EMPREENDEDOR DE SI MESMO
Jerônimo Mendes
Administrador, Consultor e Palestrante
Mestre em Organizações e Desenvolvimento
Local
http://www.jeronimos.com.br
“Todo
homem é um empreendedor de si mesmo”. Essas
palavras, proferidas pelo Professor Oriovisto Guimarães,
fundador e atual Diretor-Presidente do Grupo Positivo,
ficaram impregnadas na minha memória durante
a longa conversa que tivemos sobre o assunto enquanto
ele discorria, de maneira simples e empolgada, a trajetória
da organização que se tornou uma referencia
internacional em desenvolvimento de pessoas com foco
prioritário na educação.
De
tão simples, a afirmativa representa uma verdade
incontestável no mundo dos negócios e
na vida pessoal. De fato, somos todos empreendedores
embora não nasçamos com essa característica
e possamos adquiri-la de forma lenta e gradual na medida
em que o instinto de sobrevivência nos obriga
a sair da zona de conforto para conseguir três
boas refeições diárias, um bom
pedaço de chão e uma vida relativamente
confortável a partir de determinada fase da nossa
existência.
“Somos
aquilo que fazemos repetidamente. Excelência,
então, não é um modo de agir, mas
um hábito”, afirmou Aristóteles
há quase três mil anos. Isso justifica
em parte a prosperidade de muitos empreendedores que,
a despeito de todas as dificuldades encontradas, continuaram
caminhando e provaram ao mundo que foco, força
de vontade, persistência e determinação
são características indispensáveis
para quem deseja conquistar um lugar de destaque no
mundo dos negócios.
Toda
empresa tem uma fase de sonho onde os fundadores investem
pesado suas economias, seu tempo e sua energia numa
idéia que tem tudo para dar certo, porém
nem sempre caminha da forma planejada. Segundo Oriovisto,
o sonho do Grupo POSITIVO foi coletivo e embora alguns
tenham simplesmente desistido a meio caminho ou mudado
de área, os remanescentes nunca perderam a capacidade
de sonhar e agir, de maneira individual e coletiva.
Os
seres humanos são muito volúveis. Ao contrário,
o empreendedor de si mesmo é focado naquilo que
faz. Os primeiros migram constantemente de negócio
ou de profissão e não conseguem se concentrar
numa atividade única, principalmente pelo fato
de que, na maioria das vezes, são atirados ou
se atiram em atividades que nada ou muito pouco tem
a ver com a sua vocação original ou com
a sua formação acadêmica.
Por
que tantas empresas morrem todos os dias? Depois de
ler e reler dezenas de histórias de empresas
e empreendedores, concluí que muitas se baseiam
exclusivamente em políticas e práticas
de gestão que levam em conta somente o pensamento
e a linguagem econômica. Outras morrem jovens
porque os empreendedores, e os executivos por eles contratados,
se orientam basicamente pelos números de produção,
vendas e distribuição sem considerar o
fato de que as empresas se assemelham a uma comunidade
de seres humanos que fazem negócios para permanecerem
vivas, portanto, empresas são organismos vivos.
Os
números são importantes, a manutenção
do sonho também. Como afirmou o Professor Oriovisto,
“não acredito em empresário que
não tem um sonho”. O empreendedor de si
mesmo é aquele que faz as coisas acontecerem
e não desiste nunca embora tenha de refazer o
caminho inúmeras vezes. Assim acontece com milhares
de empreendedores que se lançam todos os dias
no complexo mundo dos negócios sem a mínima
idéia de como começar e, por alguma razão,
prosperam.
O
empreendedor de si mesmo empreende por necessidade,
é óbvio, e também por convicção
absoluta na obtenção de resultados positivos
e irreversíveis. Para ele a única opção
é vencer ou vencer. A necessidade representa
uma apenas uma condição transitória
a ser superada pelo espírito empreendedor.
Obs.: publicado originalmente na Revista Geração
Sustentável.
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