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A
UTILIDADE DOS EMPREENDEDORES
Jerônimo
Mendes
Administrador, Consultor e Palestrante
Mestre em Organizações e Desenvolvimento
Local
De
acordo com o Boletim Estatístico de Micro e Pequenas
Empresas, divulgado em 2005 pelo SEBRAE, 99,2% das empresas
constituídas no Brasil são de micro, pequeno
e médio porte. Juntas, proporcionam emprego e
renda para aproximadamente 28 milhões de brasileiros.
Portanto, somente 0,8% das empresas no país,
segundo os critérios daquele órgão,
representam as empresas de grande porte embora essas
respondam pela fatia maior do PIB Nacional.
Abrigar
em determinado espaço geográfico um contingente
superior a 99% de empresas de pequeno porte é
algo digno de estudo e de prioridade, palavra ainda
mal compreendida num país que anseia por emprego
e renda. As experiências de apoio às micro,
pequenas em médias empresas em países
com Estados Unidos, Itália e Taiwan, a partir
da década de 1950, demonstram que a opção
por esse tipo de organização foi mais
do que acertada e trouxe grandes benefícios para
sua gente, dentre eles a redução das desigualdades
sociais por conta do crescimento econômico, segundo
estudo divulgado pelo BNDES em 2000.
Nos
Estados Unidos, o empreendedorismo é estimulado
há mais de 100 anos, desde que as primeiras iniciativas
tomadas por homens célebres como Henry Ford,
Andrew Carnegie, J. P. Morgan e Thomas Alva Edison demonstraram
que é possível, a partir de uma simples
idéia fundamentada no espírito empreendedor,
fortalecer a economia de um país e melhorar as
condições de vida da população.
Nenhum país sobrevive ao caos econômico
sem direcionar esforços para o fortalecimento
das pequenas empresas que são a maioria comprovada
dos negócios estabelecidos em qualquer lugar
do mundo.
Cada
empreendedor é único e sua utilidade não
pode não pode ser percebida pelos insensíveis
e fracos de espírito. Ele carrega consigo uma
legião de seguidores e para todos os problemas
apresenta a solução adequada, motivo pelo
qual é admirado e tem seu nome é elevado
com emoção e encantamento. Em geral é
invejado, rotulado, tido como sábio ou alienado,
gênio, verdadeiro herói, elemento de sorte,
dotado de uma inteligência superior, mas trata-se
apenas de um praticante ferrenho da arte mais difícil
que existe no mundo: a arte de pensar.
Das
centenas de empresários que tive a oportunidade
de conhecer e com os quais tive a felicidade de conviver
durante os meus trinta anos de carreira, poucos eram
empreendedores de verdade. Muitos fecharam suas empresas
e uma minoria conseguiu exercitar a capacidade de resiliência
quando os negócios se mostraram frágeis.
Na maioria deles, o cansaço era comum e o otimismo,
raro. O empreendedor existiu apenas por um instante,
num momento de lampejo, de pura emoção
ou empolgação, de desespero talvez, e
não sobreviveu aos desafios impostos pelo mercado.
Definitivamente, faltava-lhes o espírito empreendedor
sugerido por Peter Drucker.
A
busca do grande homem é o sonho da juventude
e a mais séria das ocupações da
humanidade, dizia Emerson, o grande pensador americano.
Não é exagero afirmar, no caso do empreendedor
absoluto, que sua utilidade vai além da busca
do grande homem. Aquilo que ele sabe, sabe para a humanidade;
aquilo que faz, o faz para o bem-estar das pessoas ao
seu redor embora isso lhe proporcione rendimentos e
sobrevivência.
A
utilidade dos empreendedores não se resume ao
acúmulo de bens materiais, fama e glória.
Ela transcende os limites do que a história já
deu por descoberto e há sempre algo de novo,
diferente e singular, o que lhe confere tratamento diferenciado,
honraria de todos os tipos e uma legião de servos
e admiradores. Sua utilidade está na mudança
de hábitos e de comportamentos, no legado e no
exercício da vocação a serviço
da humanidade. Há de se invejar os empreendedores
e de se torcer muito por eles.
Obs.: publicado originalmente na Revista Geração
Sustentável, n. 4, Nov./Dez. 2007
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